‘Um ano foi suficiente’: castores transformaram floresta densa da Inglaterra em pântano cheio de vida selvagem, mostra estudo

Castores voltaram a viver soltos na Inglaterra após 400 anos e, em Dorset, seus diques já transformaram uma floresta fechada em pântano cheio de espécies

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Castores voltaram a viver soltos na Inglaterra após 400 anos e, em Dorset, seus diques já transformaram uma floresta fechada em pântano cheio de espécies (Foto: Divulgação/Unsplash)

Uma família de castores, reintroduzida em 2025 em uma reserva florestal do condado de Dorset, no sul da Inglaterra, transformou em apenas um ano um trecho de mata fechada em um pântano exuberante, repleto de novas espécies. O resultado é apontado por conservacionistas como a prova mais recente de que a espécie funciona como uma verdadeira engenheira da natureza, capaz de recuperar ecossistemas degradados sem qualquer intervenção humana direta.

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Os castores haviam desaparecido do território britânico havia mais de 400 anos, caçados até a extinção por sua pele, carne e glândulas. Sua volta à vida livre faz parte de um programa oficial de reintrodução conduzido por órgãos ambientais do governo britânico, que passou a autorizar soltas legais na natureza a partir de 2025.

Como os castores recriaram um pântano em apenas 12 meses?

O processo começou com a construção de diques de madeira e lama, uma característica natural do comportamento da espécie. Ao represar pequenos córregos dentro da floresta, os animais elevaram o nível da água e criaram poças, canais e áreas alagadas onde antes havia apenas solo seco e vegetação densa.

Essa mudança na paisagem abriu espaço para novas formas de vida. Insetos aquáticos, anfíbios e aves passaram a ocupar a área recém-formada, aproveitando a diversidade de microambientes criada pelos diques. A água represada também ajuda a reter umidade no solo durante períodos de seca e a reduzir o risco de enchentes rio abaixo, já que o fluxo passa a ser controlado naturalmente pelas barreiras construídas pelos roedores.

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Por que os cientistas chamam os castores de “engenheiros” da natureza?

O apelido não é exagero. Poucas espécies são capazes de alterar fisicamente a paisagem em que vivem na escala que os castores conseguem. Ao construir diques, eles modificam o curso da água, o tipo de solo e até a composição da vegetação ao redor, criando condições para que outras espécies se instalem no local.

Pesquisas anteriores conduzidas em outras regiões do Reino Unido, incluindo um estudo de cinco anos realizado no rio Otter, em Devon, já haviam demonstrado o mesmo padrão: onde os castores se estabelecem, a biodiversidade tende a aumentar de forma mensurável, beneficiando desde libélulas até aves como o martim-pescador.

O que essa recuperação significa para o futuro da conservação ambiental

O caso de Dorset é tratado por especialistas como um modelo de restauração ecológica de baixo custo, já que praticamente todo o trabalho de transformação da paisagem foi realizado pelos próprios animais, sem máquinas ou grandes investimentos em engenharia hídrica.

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Diante dos resultados, autoridades ambientais britânicas já autorizaram novas soltas de castores em outras áreas do país, incluindo regiões do sudoeste da Inglaterra. A expectativa é que, à medida que mais populações se estabeleçam, o efeito observado em Dorset se repita em outras florestas e bacias hidrográficas, ajudando o Reino Unido a recuperar parte da biodiversidade perdida ao longo de séculos.

Para os pesquisadores envolvidos no projeto, o episódio reforça um argumento cada vez mais defendido em programas de conservação ao redor do mundo: em muitos casos, devolver uma espécie-chave ao seu habitat original pode ser mais eficaz do que qualquer intervenção humana direta para restaurar um ecossistema.