Ave tradicional é tida como um símbolo nacional do Nepal (Foto: Mildeep / Wikimedia Commons)
A câmera encontra primeiro uma mancha de cobre sobre a neve. Então o pássaro vira o pescoço e o verde aparece. Mais um passo, e surgem azul, roxo e reflexos metálicos. Por alguns segundos, o monal-do-Himalaia parece menos um animal e mais uma imagem criada pelo computador.
Continua após a publicidade
Porém, o monal-do-Himalaia (Lophophorus impejanus) é real e encanta por onde voa. E a explicação para sua aparência talvez seja ainda mais curiosa que a suspeita de IA: boa parte do espetáculo não está simplesmente “pintada” nas penas. Ela nasce de estruturas microscópicas que interagem com a luz.
O monal-do-Himalaia vive principalmente entre 2.700 e 3.700 metros de altitude, em florestas de coníferas, encostas abertas e prados alpinos. No inverno, pode descer para regiões próximas dos 2 mil metros (Foto: Ajit Hota / Wikimedia Commons)Mesmo com o solo coberto de neve, a ave consegue cavar em busca de raízes, tubérculos e invertebrados usando o bico forte. A alimentação também inclui sementes, brotos e larvas (Foto: Koshy Koshy / Wikimedia Commons)A diferença entre os sexos é marcante: enquanto o macho exibe verde, azul, cobre e roxo metálicos, a fêmea possui plumagem marrom que ajuda a escondê-la (Foto: Koshy Koshy / Wikimedia Commons)Machos chegam a pesar entre 1,9 e 2,3 quilos, enquanto as fêmeas ficam aproximadamente entre 1,8 e 2,15 quilos. Durante a época reprodutiva, os dois podem ser observados em pares (Foto: Pathaniavinay1622 / Wikimedia Commons)Durante o voo, o macho revela uma grande área branca nas costas e no uropígio, normalmente escondida quando ele está pousado. A cauda tem coloração castanho-avermelhada (Foto: Mildeep / Wikimedia Commons)Entre abril e agosto ocorre a temporada de reprodução. Os machos ficam mais vocais e exibem a plumagem; a fêmea prepara uma depressão rasa no chão e normalmente coloca de três a cinco ovos (Foto: Mike Prince / Wikimedia Commons)No Nepal, a espécie recebe o nome de danphe e é considerada a ave nacional do país. Ela ocorre inclusive no Parque Nacional de Sagarmatha, região do Everest (Foto: Gurung Pratap / Wikimedia Commons)A beleza da crista já colocou a ave sob pressão: penas de machos eram usadas para ornamentar chapéus tradicionais de Himachal Pradesh. A caça legal da espécie foi proibida no estado em 1982 (Foto: Ravi Kumar / Wikimedia Commons)
Faisão quase impossível
O monal-do-Himalaia pertence à família dos faisões e é conhecido como “pássaro das nove cores”. O apelido vem da plumagem iridescente dos machos adultos, que combina tons metálicos e parece mudar conforme a iluminação e o ângulo de observação.
O efeito fica concentrado sobretudo no macho. Ele tem crista verde metálica, dorso acobreado e áreas azuis e roxas, além de uma mancha branca evidente durante o voo. A fêmea segue uma paleta discreta em tons marrons, que funciona como camuflagem entre a vegetação.
Continua após a publicidade
Casal de monais (Foto: Pathaniavinay1622 / Wikimedia Commons)
A força dessas cores ajuda a explicar por que a espécie é tão procurada por observadores e fotógrafos. O próprio NSC Total já reuniu uma seleção de imagens impressionantes de aves premiadas em concurso internacional.
Física das cores
Em 2020, pesquisadores publicaram na revista Nanoscale um estudo específico sobre as penas do monal-do-Himalaia. A equipe analisou amostras de diferentes partes do corpo com microscopia óptica e eletrônica e medições espectroscópicas.
Os cientistas encontraram estruturas fotônicas dentro das penas. Em vez de sua cor ser derivada de uma espécie de “tinta”, essas formações microscópicas utilizam materiais comuns do corpo, como queratina e melanina, para controlar a forma como a luz é refletida.
Continua após a publicidade
Esse é um efeito conhecido como coloração estrutural, em que estruturas microscópicas alteram a forma como diferentes comprimentos de onda da luz são refletidos (Foto: Gurung Pratap / Wikimedia Commons)
Os pesquisadores ainda molharam as penas com diferentes líquidos. A coloração sofreu alterações rápidas e retornou ao estado anterior após a secagem, em cerca de cinco minutos.