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“Primeiro a vida, depois os espaços públicos, só então os edifícios – o inverso nunca funciona”, essa frase foi protagonizada pelo arquiteto dinamarquês Jan Gehl, cuja carreira foi construída com base no ideal de melhorar a qualidade de vida urbana. Ele defende também um princípio básico em que ao se criar um espaço para as pessoas, automaticamente elas irão para esse espaço. Mas não um qualquer, um lugar que ressignifique as conexões, a forma como as pessoas se relacionam com o seu entorno, com o trajeto para a casa, para o trabalho e para o lazer. 

Hoje, os bairros planejados, inspirados em projetos centrados no indivíduo, já refletem a evolução na forma como concebemos a vida urbana. Ao contrário de um crescimento urbano desordenado praticado por décadas em muitas cidades do mundo, em que as áreas são ocupadas e construídas sem um plano urbano adequado, o cuidado ao pensar a qualidade do espaço público é a chave para centralidades e novos bairros que resgatam a perspectiva humana, bem como retirar o protagonismo do carro.

São as pessoas nas ruas, calçadas, praças e áreas públicas que trazem a vida dos bairros e um melhor convívio em sociedade. Nesse sentido, abaixo são apresentados os 5 principais benefícios de bairros planejados em que as pessoas são a prioridade. Veja!

1. Senso de comunidade 

Essa tendência se traduz em empreendimentos que não se limitam apenas às edificações isoladas, mas também à criação de verdadeiras comunidades melhor inseridas no seu contexto urbano. Uma praça bem projetada e bem cuidada encoraja pessoas a ocupá-la e, consequentemente, desperta um sentido de pertencimento e de querer zelar por esse espaço.  

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Além disso, bons espaços públicos podem estimular a interação e a conexão das pessoas que frequentam este mesmo lugar. Trata-se de um centro de convivência que movimenta diversos setores e atende aos moradores de ponta a ponta. Seguindo essas premissas, é possível inspirar a sociedade, estimulando a criação de lugares pensados para atender necessidades e desejos da comunidade. 

2. Mobilidade e incentivo à segurança 

Com um urbanismo sensível, os bairros planejados podem trazer à tona a cidade ideal, em que as pessoas ganham mobilidade e podem circular mais a pé e de bicicleta, dependendo menos de carros. Isso faz com que haja uma maior e melhor proximidade da moradia, trabalho, comércios, serviços, educação e lazer. 

E quanto mais as pessoas praticam seus deslocamentos sem priorizar os carros, mais a vemos nas ruas e, dessa maneira, uma maior sensação de segurança e interação diversa em um espaço sem muros. Esses empreendimentos se tornam mais humanos e provam que o estilo de vida em cena, com conveniência e conforto, é acessível para todos. 

Regiões urbanas compactas e multifuncionais são a chave para sustentabilidade (Imagem: VOJTa Herout | Shutterstock)

3. Harmonia com meio ambiente 

Municípios com regiões adensadas e com multifuncionalidade de usos são mais sustentáveis, além de serem uma grande aposta na luta contra o aquecimento global. Isso porque as localidades compactas, em comparação com aquelas espraiadas para as periferias, diminuem o número de motoristas nas ruas, já que os trajetos a serem percorridos são menores e, consequentemente, as emissões de gases de efeito estufa são reduzidas.  

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4. Criação de memórias afetivas 

Em bairros planejados, normalmente os indivíduos se relacionam bem com o ambiente, mesmo que não sejam moradores ou trabalhem ali. Isso porque possuem lembranças boas de um filho que pediu para ir brincar no parque ou de um amigo que convidou para tomar um café. As pessoas querem ocupar os lugares, e esses espaços se transformam em mais uma opção de lazer.  

5. Propagação de um modelo para a cidade 

Muitos dos espaços públicos ofertados nas cidades carecem de uma zeladoria e um projeto adequado, bem iluminado, com um bom paisagismo, que seja aconchegante e convidativo. Os bairros planejados promovem um outro olhar para esses espaços e despertam a vontade de que isso possa ser reproduzido no resto da cidade. Isso porque as melhores técnicas urbanas tendem a atrair os agentes formadores de opinião. 

Como se vê, o urbanismo feito à mão inclui obras com infraestruturas completas e bem planejadas, que favorecem cidades e pessoas, criando sobretudo um legado de qualidade de vida e resgate de valores que realmente importam. 

Por Adriana Alves

Mestre em Urbanismo e diretora de Licenciamento e Projetos na Idealiza Cidades, urbanizadora e incorporadora com foco em urbanismo planejado e verticais 

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