Embora seja reconhecido nacionalmente pela produção de carnes, leite e grãos, o Oeste de Santa Catarina também se destaca como a principal região produtora de laranja do Estado. A citricultura vem ganhando espaço nas pequenas propriedades rurais e se consolidando como uma atividade complementar de grande importância econômica para milhares de famílias.

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Dados da Epagri mostram que as regiões Oeste, Meio-Oeste e Extremo-Oeste concentram aproximadamente 80% da produção catarinense de laranja e 22,5% da produção de tangerina. Atualmente são colhidas cerca de 11,4 mil toneladas de laranja e 1,7 mil toneladas de tangerina por ano apenas no grande Oeste catarinense.

A força da atividade está diretamente ligada à agricultura familiar. Cerca de 95% dos citricultores catarinenses trabalham em propriedades com menos de 50 hectares, sendo que a área média destinada aos pomares de citros não ultrapassa dois hectares. A produção é comercializada tanto para consumo in natura quanto para a indústria de sucos.

Além da liderança na produção de laranja, a mesorregião Oeste é considerada a maior produtora de frutas cítricas de Santa Catarina. Estudo apresentado no Simpósio de Fruticultura da Região Sul aponta que a região responde por aproximadamente 60% de toda a produção estadual de citros, incluindo laranja, tangerina e limão.

Crescimento impulsionado por tecnologia e organização

O desenvolvimento da citricultura regional é resultado de décadas de pesquisa e assistência técnica. A Epagri atua há mais de 45 anos no melhoramento de cultivares, produção de mudas certificadas e orientação aos produtores, contribuindo para elevar a produtividade e reduzir problemas fitossanitários. Segundo a instituição, cerca de 90% das mudas utilizadas nos pomares catarinenses tiveram origem em materiais básicos fornecidos pela empresa.

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Outro fator que impulsionou o setor foi a criação de cooperativas e associações de produtores. Em 2022, cerca de 3,6 mil toneladas de laranja, tangerina e limão foram comercializadas por cooperativas das regiões Oeste, Meio-Oeste e Extremo-Oeste, movimentando aproximadamente R$ 1,6 milhão.

Clima favorável para produção de laranja e geração de empregos

A formação de microclimas em áreas próximas aos rios Canoas e Uruguai também favoreceu a expansão da atividade, especialmente em municípios como Abdon Batista e Celso Ramos. Nessas regiões, a combinação entre clima, solo e disponibilidade hídrica criou condições ideais para o cultivo de citros.

Além da geração de renda, a citricultura se destaca pela capacidade de criar empregos no campo. A atividade é considerada uma das que mais demandam mão de obra por área cultivada, com média de um posto de trabalho para cada nove hectares plantados, principalmente porque a colheita é realizada manualmente durante boa parte do ano.

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Ainda de acordo com a Epagri, com a ampliação das áreas plantadas, o fortalecimento da agricultura familiar e o surgimento de pequenas agroindústrias voltadas à produção de sucos e derivados, a expectativa é de que a produção de laranja e outras frutas cítricas continue crescendo no Oeste catarinense nos próximos anos, consolidando a região como o principal polo citrícola de Santa Catarina.