Você vê pombos quase todos os dias nas praças e ruas da cidade e isso é parte do cotidiano. Atualmente, eles são frequentemente vistos apenas como aves urbanas, mas a história dessa convivência é muito mais profunda e curiosa do que imaginamos.
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Novas descobertas arqueológicas revelam que esses pássaros não são apenas inquilinos que nos acompanham para além das grandes cidades. Eles acompanham a trajetória humana há milênios, desempenhando papéis que vão muito mais do que a simples presença nas calçadas.
Sítio arqueológico no Chipre tras revelações
Pesquisadores que analisaram restos ósseos no sítio de Hala Sultan Tekke, no Chipre, fizeram uma descoberta que intriga: ossos datados do final da Idade do Bronze mostram que a espécie Columba Livia vivia de forma muito próxima aos assentamentos humanos.
Essas aves não eram exatamente “pets” na nossa definição moderna, mas eram semidomesticadas. Elas cultivavam uma dependência alimentar dos humanos e encontravam, nas construções das casas, o ambiente perfeito para fazer seus ninhos.
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Festas e rituais sagrados
O dado mais curioso para os especialistas foi a presença de marcas de queimaduras em alguns ossos encontrados. Esses vestígios estavam localizados em áreas que continham altares e mesas de pedra.
- Uso ritualístico: As aves possivelmente eram consumidas em banquetes ou oferecidas em rituais religiosos.
- Descarte intencional: A posição dos ossos em fossas cobertas sugere um descarte cerimonial, e não apenas lixo comum.
- Dieta compartilhada: As análises mostraram que esses pombosn comiam grãos, sementes e restos de comida humana, provando a convivência íntima.
A domesticação complicada
Muitas vezes, pensamos na domesticação como algo rápido e de fácil acesso, mas o estudo reforça que o processo ocorreu de forma gradual ao longo de gerações. Essas aves seguiram um caminho comensal, aproveitando os recursos disponíveis nas comunidades.
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Antes mesmo dessa descoberta no Chipre, já sabíamos que humanos interagem com essas aves há muito tempo. Evidências em cavernas de Gibraltar indicam que pombos já eram explorados por humanos e neandertais há pelo menos 67 mil anos.
Dias atuais
A jornada dos pombos ao lado da humanidade é uma prova de como as espécies se adaptam ao nosso estilo de vida. Eles foram usados para consumo, como animais de estimação e até fonte de fertilizante, mantendo um lugar fixo em nossa história.
Jean Lindemute



