Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estão promovendo estudos sobre os riscos do vapor do cigarro eletrônico, conhecido como “vape”. A pesquisa, desenvolvida no Laboratório de Pesquisas Toxicológicas, busca desvendar uma das lacunas científicas sobre a composição do vapor liberado pelo dispositivo, que tem contato direto com os usuários por meio das vias respiratórias.
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A pesquisa de mestrado em Farmacologia de Bruna Espíndola da Silva desenvolveu um método para capturar o vapor do cigarro por meio da fibra de coco, que retém as substâncias de interesse. Depois, as moléculas são retiradas da fruta e levada a um equipamento que separa e identifica os componentes.
Segundo a professora Camila Marchioni, coordenadora do projeto, a base do líquido é uma mistura de propilenoglicol e glicerina. Ainda de acordo com ela, há uma complexidade química nestes dispositivos e mais de 2 mil substâncias já foram identificadas.
— O cigarro eletrônico não é permitido no Brasil, ele é um dispositivo proibido, que não pode ser comercializado, não pode ter propaganda. Então, quem está vendendo, está vendendo um produto ilícito, sem controle de qualidade e que pode ter qualquer substância ali dentro — explica Camila.
Perigos do vape
Em 2025, um em cada seis jovens, com idades entre 13 e 17 anos, já experimentou cigarros eletrônicos pelo menos uma vez. Foi o que mostrou a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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O Instituto Nacional de Câncer (INCA) reforça que a toxicidade dos cigarros eletrônicos pode ser tão prejudicial quanto a dos cigarros tradicionais. Esses dispositivos contêm substâncias químicas tóxicas, incluindo metais pesados como chumbo, níquel e cádmio, prejudiciais à saúde, conforme destacado pelo Ministério da Saúde.
A enfermeira Fernanda Toledo alerta que os cigarros eletrônicos podem levar ao desenvolvimento de doenças respiratórias, como enfisema pulmonar, cardiovasculares, dermatites e até câncer.
— Sintomas de alerta para os jovens consumidores incluem tosse persistente, dor no peito, falta de ar, náuseas, vômitos, dores abdominais e perda de peso — adverte.
Busque ajuda profissional
Fernanda recomenda que aqueles que desejam abandonar o tabagismo busquem ajuda profissional.
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— É fundamental escolher um método de cessação adequado para cada caso, decidindo se a interrupção será imediata ou gradual, definindo prazos e preparando-se para possíveis sintomas durante o processo, como ganho de peso, abstinência e recuperação. Para um sucesso duradouro, é importante incorporar atividades físicas diárias e evitar o consumo de bebidas alcoólicas e cafeinadas — conclui.
*Sob supervisão de Luana Amorim
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