Para psicanalistas a ideia de que somos capazes de viver sem o outro é uma ficção necessária, que utilizamos para organizar nossa própria vida, mas não deixa de ser uma ilusão.
Continua depois da publicidade
Quem explica isso é o psicanalista Christian Dunker, que escreveu com a psicanalista Ana Suy o livro “Eu só existo no olhar do outro?“, que fala sobre amor e existência.
A partir da conversa dos dois registrada no livro é possível entender o conceito de que a separação que existe entre o “eu” e o “outro” é imaginária, considerada uma ficção. Algo que fazemos para tentar dar ordem à nossa vida e ter um dia a dia menos caótico.
Imagine que nossas emoções são um imenso gramado. Para que seja possível disputar uma partida de futebol nele você precisa traçar linhas brancas no chão e combinar, “daqui para cá é meu campo, e dali para lá é o seu”.
Continua depois da publicidade
Essa linha é imaginária porque você consegue atravessar para o campo do outro, ficar por lá e até marcar gols, mas esse acordo do que é de cada um existe.
Na nossa mente acontece o mesmo. Estamos misturados o tempo inteiro com o outro e nossa personalidade é formada a partir da forma como os outros nos veem.
Mas apostamos nessas linhas imaginárias para que possamos nos separar das outras pessoas. Sem “inventar essa ficção” não conseguimos nos organizar e a vida vira uma grande bagunça.
Continua depois da publicidade
Se ficou difícil de entender essa analogia pense na Linha do Equador. Ela não existe fisicamente, mas é uma realidade, um conceito delimitado que muda o clima de um lado e do outro do mundo.
Somos seres separados um do outro mas precisamos sempre do olhar do outro para saber quem somos e o nosso lugar no mundo, e isso interfere também no que chamamos de felicidade. Por isso, a ideia de que somos capazes de ser felizes sem ninguém é imaginária.
Resumindo, estamos conectados o tempo todo e de forma profunda. A ideia de ser feliz sozinho é imaginária. Ninguém é 100% isolado, independente ou separado dos outros.
Continua depois da publicidade
Dica: A imagem que ilustra esta matéria é do filme “O Pior Vizinho do Mundo”, estrelado por Tom Hanks que mostra bem esse cruzamento de emoções entre felicidade e solidão. O filme está disponível para ver na Netflix.
