“A Casa do Dragão” volta para a sua terceira temporada envolta em um clima de guerra, mas uma em especial transcende os dragões e exércitos da ficção. Uma desavença entre o criador original da história, George R.R. Martin, com os showrunners da série por causa de um bebê.
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O bebê em questão é o personagem Maelor Targaryen, filho caçula de Aegon II e Helaena. No livro de George R.R. Martin, “Fogo & Sangue“, ele é o peso emocional de uma das cenas mais brutais da Dança dos Dragões. Na TV, sua ausência alterou toda a lógica do momento e do futuro da história.
As desavenças de Martin começaram em seu blog oficial, o Not a Blog. Em julho de 2024, ele elogiou vários pontos técnicos da 2.ª temporada, mas logo preparou postagens nas suas redes sociais para falar dos “grandes erros de roteiro da série”, especialmente sobre “Maelor, o Desaparecido”.
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Leia com atenção a partir deste momento, pois esta matéria contém SPOILERS do futuro da série “A Casa do Dragão” e do livro. E, se estiver curioso para entender mais sobre o universo da série, acompanhe uma matéria completa feita pelo NSC Total para você.
O que mudou na série?
A cena em questão é conhecida pelos fãs como Sangue e Queijo, nomes dos dois assassinos enviados para vingar a morte de Lucerys Velaryon. No livro, Daemon escreve a frase “um filho por um filho”, e o alvo é um dos filhos de Aegon II.
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Na série, a missão começa de outra forma. Daemon manda os assassinos atrás de Aemond Targaryen. Como eles não encontram o príncipe, acabam chegando aos aposentos de Helaena e matam Jaehaerys, o herdeiro de Aegon.
Porém, essa cena tem uma mudança substancial em relação à série: a ausência de Maelor.
Quem é Maelor Targaryen?
Maelor Targaryen é o terceiro filho de Aegon II e Helaena em Fogo & Sangue. Ele é irmão mais novo dos gêmeos Jaehaerys e Jaehaera. Na série, porém, Aegon e Helaena aparecem apenas como pais dos gêmeos.
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A ausência de Maelor muda o coração da cena. No livro, Sangue e Queijo obrigam Helaena a escolher qual filho deve morrer. Ela escolhe Maelor, por ser pequeno demais para entender o que estava acontecendo, mas os assassinos matam Jaehaerys mesmo assim.
Na TV, como Maelor não existe, Helaena não escolhe entre dois filhos homens e não fica com o peso de ter condenado seu bebê à morte. Ela apenas precisa indicar qual das crianças é o menino. Com isso, a série troca uma escolha moral devastadora por uma identificação forçada.
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Por que George R.R. Martin se incomodou?
Martin argumentou que a retirada de Maelor enfraquece o final da sequência de Sangue e Queijo. Para ele, o horror da versão literária não está só na morte de Jaehaerys, mas na tortura psicológica imposta a Helaena.
Em publicação depois apagada, Martin afirmou que Maelor poderia parecer pequeno para a trama, já que “não faz nada” além de morrer. Mesmo assim, o autor destacou que o local, o momento e a forma dessa morte importam para a história.
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“Efeito borboleta” de Maelor
O problema, para Martin, não termina em Sangue e Queijo. Maelor tem uma função futura em Fogo & Sangue. A vida curta do personagem desencadeia outros acontecimentos, inclusive uma cena violenta na cidade de Ponte Amarga.
Sem Maelor, a série precisa encontrar outro caminho para eventos que dependiam dele. Isso pode afetar Helaena, Daeron Targaryen, a imagem pública dos Verdes e a escalada de violência popular durante a guerra civil Targaryen.
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Por isso, Martin usou a ideia de “efeito borboleta”. Em uma adaptação, cortar um personagem pequeno pode parecer inofensivo, mas essa alteração pode empurrar outras peças da narrativa para direções diferentes nas temporadas seguintes.
O que acontece com Maelor no livro?
Em Fogo & Sangue, Maelor sobrevive ao ataque de Sangue e Queijo. Mais tarde, durante a guerra, ele é retirado de Porto Real para ser protegido, mas acaba tendo sua morte em uma sequência brutal em Ponte Amarga.
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A morte de Maelor é uma das imagens mais violentas da guerra. Ela mostra como a Dança dos Dragões deixa de ser apenas disputa entre nobres e passa a contaminar o povo, as cidades e a ideia de legitimidade dos dois lados.

A versão da HBO
Ryan Condal, showrunner de House of the Dragon, defendeu que a adaptação precisou lidar com limitações práticas. Ele afirmou que a cronologia da série foi comprimida e que, dentro dessa versão, Maelor ainda não havia nascido.
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Condal também explicou que adaptar a cena exatamente como no livro criaria obstáculos legais e práticos com crianças pequenas no set. Segundo ele, a equipe tentou preservar o núcleo dramático: a vingança por Luke e a morte de um inocente diante de Helaena.
Depois da crítica pública de Martin, Condal disse que ficou decepcionado. Ele afirmou ter tentado incluir o autor no processo de adaptação, mas destacou que o trabalho para TV exige decisões que não existem no ambiente literário.
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