A Odisseia, primeiro filme de Christopher Nolan após sua vitória como Melhor Diretor no Oscar em 2024, estreia em 16 de julho, permeado por polêmicas. E, dentre elas, está uma discussão inesperada sobre sotaques: como deveriam falar os heróis da Grécia Antiga em uma superprodução de Hollywood?

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A prévia foi criticada por mostrar personagens com sotaques americanos e frases modernas demais para uma história inspirada no poema épico atribuído a Homero. Conheça os argumentos de Nolan para defender essa escolha e da crítica ao filme.

Elenco principal do filme

A Odisseia adapta uma das histórias mais antigas e influentes da literatura ocidental, mas em uma tentativa de vendê-la para uma plateia moderna em 2026. Um público que pode não estar acostumado à linguagem, aos personagens e à história clássica no geral.

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Guerra de sotaques

A discussão começou porque muitos espectadores esperavam uma fala mais antiga, formal ou “britânica”, como costuma acontecer em filmes históricos. Em vez disso, o trailer aposta em diálogos diretos e sotaques contemporâneos.

Entre os trechos que mais chamaram atenção está uma fala de Antínoo, personagem de Robert Pattinson, para Telêmaco, vivido por Tom Holland. A frase usa o termo “daddy”, um termo atual e informal que, segundo fãs, é muito deslocado para uma trama mitológica.

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Algumas das reclamações envolvem o uso do sotaque americano carregado. Apesar de não ser uma regra, em obras históricas se tornou uma convenção utilizar o inglês britânico formal, como se ele soasse mais “histórico”, mesmo sem relação direta com o período retratado.

Parte das críticas surge da expectativa sobre o trabalho de Nolan que é conhecido por seu preciosismo nos detalhes (Divulgação / IMDb)
Parte das críticas surge da expectativa sobre o trabalho de Nolan que é conhecido por seu preciosismo nos detalhes (Foto: Divulgação / IMDb)

Segundo perfis, há também ironia no fato de Nolan buscar o realismo em outras áreas da produção, mas ignorar o sotaque. A Odisseia foi filmado em locações internacionais e é o primeiro longa captado inteiramente com câmeras IMAX.

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Matt Damon também afirmou à Reuters que o diretor priorizou efeitos práticos, navios reais e grandes cenas feitas “em câmera”, sem depender apenas de atalhos digitais.

Histórica, mas menos distante

Em entrevista ao Los Angeles Times, Nolan afirmou que buscava uma linguagem com significado emocional para o público, e não uma fala “intelectualizada”. O diretor admitiu que a escolha poderia gerar reações negativas.

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“Eu talvez estivesse sendo ingênuo, isso pode se voltar contra mim, mas eu queria uma narrativa terrena. Para mim, era óbvio.”

afirmou Nolan, ao defender o uso de inglês contemporâneo no roteiro

A defesa das falas modernas toca em uma discussão maior: toda tradução de um clássico já é uma forma de adaptação. Ao passar o grego antigo para o inglês, português ou qualquer idioma moderno, parte do efeito original se transforma.

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A historiadora Mary Beard, da Universidade de Cambridge, lembrou ao The Guardian que traduções “nunca são neutras” e que novas versões podem revelar aspectos diferentes dos textos antigos, preteridos pelos tradutores.