O programa criado pelo peruano Bruno Drago, coach de masculinidade, está chamando atenção ao propor algo diferente para lidar com comportamentos “tóxicos” dos homens. A iniciativa pensa em uma cura emocional, autoconhecimento e responsabilidade afetiva para mudar atitudes que afetam relações pessoais e até a saúde mental.
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O programa Equilíbrio Masculino funciona como uma espécie de jornada de desenvolvimento pessoal. Em vez de focar apenas em apontar erros, ele convida os participantes a revisitar traumas, entender suas reações e aprender novas formas de se relacionar.
A iniciativa chama atenção por trazer uma abordagem mais prática e menos punitiva. Melhor que rotular, a ideia do programa acredita na transformação. A ideia central é que mudar é possível, desde que exista disposição para olhar para dentro e encarar emoções que, por muito tempo, foram ignoradas.

Equilíbrio Masculino na prática
A abordagem inclui encontros em grupo, exercícios de reflexão e práticas voltadas para inteligência emocional. A ideia é criar um ambiente seguro onde os homens possam falar sobre sentimentos sem julgamento, algo que ainda é pouco incentivado em muitos contextos sociais.
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A proposta aparece num momento em que discussões sobre a masculinidade tóxica ganham espaço nas mídias. Padrões rígidos de comportamento, como repressão emocional e necessidade constante de controle, pode prejudicar a si mesmo e as pessoas ao redor.
Em vez de colocar a culpa no passado ou na sociedade, os participantes são incentivados a reconhecer o impacto de suas ações e assumir o compromisso de mudança. Isso envolve melhorar a comunicação, até mudanças de comportamento em relacionamentos amorosos, familiares e profissionais.
Impacto no Brasil
O Brasil vive um cenário preocupante quando o assunto é feminicídio, e os números mostram que só cresce. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2025, o país registrou 1.568 mulheres assassinadas por feminicídio, com alta de 4,7% em relação ao ano de 2024. No papel, isso significa que cerca de quatro mulheres são mortas por dia apenas por serem mulheres.
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Estudos indicam que 87% das vítimas não tinham medida protetiva ativa, mostrando falhas na proteção e no acompanhamento dessas mulheres. Além disso, a maioria dos crimes acontecem dentro de casa e são cometidos por parceiros ou ex-parceiros, o que liga à relacionamentos abusivos e padrões de comportamento violentos.
É nesse ponto que programas voltados para a educação emocional masculina entram no ar. Especialistas dizem que muitos agressores reproduzem padrões aprendidos, como dificuldade em lidar com frustração, necessidade de controle e repressão emocional.
No fim, o projeto levanta uma pauta, questionando se ao ensinar homens a lidar com suas emoções pode ser uma forma para relações mais saudáveis. Para Drago, a resposta é sim e começa com um passo simples, que ainda é difícil para muitos homens, que é reconhecer que precisa mudar.
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Por Henrique Moraes


