Um dos lugares mais enigmáticos do sistema prisional brasileiro, o Complexo Penitenciário de Tremembé, em Tremembé, no interior de São Paulo, é palco do mergulho dado no livro Tremembé – O presídio dos famosos. Conhecido popularmente como “presídio dos famosos”, o local se tornou manchete em diversos momentos da história recente ao receber presos envolvidos em casos que chamaram atenção no país e agora ganha as páginas do livro do jornalista e escritor best-seller Ullisses Campbell.
Continua depois da publicidade
Lançado no início de setembro, o livro traça um retrato do cotidiano da prisão, revelando como a fama ou notoriedade de determinados detentos impacta a dinâmica interna da penitenciária e a percepção da opinião pública.
No local ficaram presas figuras como Suzane von Richthofen, Robinho, Alexandre Nardoni, Anna Carolina Jatobá e Lindemberg Alves, pessoas que ocuparam as manchetes policiais, e dividem ou dividiram cela com anônimos condenados por crimes tão ou mais brutais.
Sem se limitar a um inventário de casos, a narrativa busca compreender os bastidores do sistema carcerário, os privilégios e as tensões que surgem quando assassinos, celebridades e personagens de casos midiáticos dividem o mesmo espaço.
Continua depois da publicidade
Fruto de dois anos de investigação, período que envolveu dezenas de visitas às cinco unidades do complexo, entrevistas com presos, observação das rotinas e análise documental, o livro Tremembé – O presídio dos famosos figura no topa da lista de best-sellers da Veja e antecipa a série homônima da Prime Vídeo, também roteirizada por Ullisses Campbell, trazendo revelações inéditas sobre as regras, os conflitos, as alianças e o cotidiano dentro dos muros.
Os presos e suas histórias
Na obra, publicada pela Matrix Editora, Campbell aborda, por exemplo, o caso de Gil Rugai, condenado por homicídio duplamente qualificado e estelionato, que na prisão idealizou o “Café Literário”, um encontro semanal para discutir clássicos como Crime e Castigo; ou Luiza Motta, sentenciada por atropelar e matar um homem enquanto dirigia embriagada, que se tornou a “médium-chefe” nas reuniões da “cela dos espíritos”, onde as presas buscavam reconciliação com as vítimas em sessões espíritas.
Continua depois da publicidade
Na ala masculina, assassinos enfrentam estupradores em campeonatos de futebol.
Na feminina, as detentas desfilam em concursos de beleza para
eleger a Miss Tremembé, numa tentativa desesperada de resgatar
algum fiapo de autoestima sob o peso da condenação.
(Tremembé – o presídio dos famosos, p. 16)
No livro, o autor apresenta a outra face dos condenados, revelando que nem todos se encaixam na imagem de “monstros”. Entre eles, há pessoas que perderam o rumo por segundos de imprudência, por transtornos mentais negligenciados ou por explosões de emoção.
Campbell também mostra a desigualdade social. Dentro do complexo, presos pobres lavam roupas, limpam celas e cozinham para os mais ricos em troca de pequenas quantias. Um dos exemplos apresentados é o de Luiz Estevão (o preso de R$ 30 bilhões), que segundo o autor, mantêm a influência para garantir privilégios e conforto, contrastando com a realidade da maioria.
Continua depois da publicidade

