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A vida rural do seu Zé Recker, no Rio Tavares, é uma viagem ao passado de Florianópolis

Aos 80 anos, ele cuida de nove vaquinhas no Sul da Ilha

20/08/2018 - 12h20 - Atualizada em: 20/08/2018 - 12h40

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Por Redação NSC
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Entrar na cocheira onde o seu Zé alimenta suas nove cabeças de gado é fazer uma viagem no tempo dentro da Ilha de Santa Catarina. A madeira envelhecida das paredes, o cheiro de esterco, o tambor de leite e o triturador de capim estão a menos 20 km dos edifícios altos e os carros apressados da Avenida Beira-Mar Norte, mas pode se dizer que estão também há algumas décadas de distância.

Quase que todo dia no despertar do Sol, José Recker, no auge dos seus 80 anos de saúde, passa pela estrada geral do Rio Tavares, em frente à Igreja de Pedra, calçando uma galocha e com um carro de boi carregado de capim - veículo muito comum no bairro até a metade do Século passado. O carro, no entanto, é puxado por uma égua, a Baia, companheira do Seu Zé há oito anos. Ele vai da Cova Funda, localidade onde mora, até a chácara no pé do Morro do Badejo, passando por outras propriedades rurais que dão todo um ar bucólico à região.

A rotina é repetida há duas gerações. Seu Zé veio para Florianópolis com 23 anos. Saiu da minúscula cidade de Anitápolis, que se hoje tem 3 mil habitantes, imagina seis décadas atrás.

— Lá era só trabalhando na roça, muito longe de recursos. Então pra cá era mais fácil arranjar trabalho. Eu tinha uma irmã que veio morar aqui antes, depois veio eu. E aí eu me casei e a família veio toda! — lembra.

Morando no sul da Ilha, seu Zé trabalhou como pedreiro e carpinteiro nas casas e prédios do Centro da cidade. Teve oito filhos e 12 netos. Ajudou a colonizar o Rio Tavares. Mas o velho gosta mesmo é da época em que o bairro tinha mais cara de interior ainda.

— Aqui no Rio Tavares era bem melhor porque tinha pouco morador. Isso aqui da estrada para lá — disse, apontando para a geral - não tinha uma só casa, era só roça de mandioca, milho e feijão.

UM PASSATEMPO

Seu Zé brinca que cria as vaquinhas apenas para passar o tempo e não ficar parado. É como uma terapia. Essa rotina de cortar o mato, moer capim, alimentar os bichos, tirar o leite e fazer queijo é que faz a saúde do idoso estar em dia – ninguém dá 80 anos pra ele. Mesmo assim, o criador acha que está na hora de parar. Ele inclusive diz que está colocando as vaquinhas à venda.

— Se eu puder eu vou vender essas vacas. Quero deixar só um ou dois terneiros pra não ficar parado em casa. É porque os médicos me dizem: seu Zé, continua com a mesma coisa, cria tuas vaquinhas lá, faz o teu leitinho — conta aos risos.

Assim ele garante que será.

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