Em um dia que poderia ser como qualquer outro, uma equipe de operários neerlandeses que fazia escavações para instalar infraestrutura básica encontrou um grande achado: uma viga de uma embarcação viking com milhares de anos.

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A arqueóloga municipal Anne de Hopp classificou o achado como raro em níveis local e nacional, pois a viga foi encontrada em uma cidade dos Países Baixos distante do mar: a cidade de Wijk bij Duurstede.

O que foi achado?

Enterrada sob a cidade, estava uma viga de madeira com cerca de 3,2 metros de comprimento e 30 centímetros de espessura. Segundo Kees Sterreburg, especialista em construção naval, pelos padrões encontrados na madeira, como entalhes e furos, ela provavelmente era uma peça maior atada a uma embarcação.

Apesar de análises preliminares apontarem que a peça pode ser parte de uma embarcação viking, elas não descartam a possibilidade de que essa interpretação esteja equivocada e ainda precise de mais confirmações.

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Um navio longe do mar?

À primeira vista, a cidade, que fica a 70 quilômetros do mar e ainda mais longe da Escandinávia, parece um lugar estranho para ser o jazigo de um antigo navio viking. Porém, a atual cidade de Wijk bij Duurstede um dia foi Dorestad, um dos mais importantes centros comerciais do Atlântico Norte durante o período carolíngio, aprox. 751-987 d.C.

A antiga região comercial ficava em um local estratégico, ao lado dos rios Lek e Kromme Rijn, que davam acesso ao mar e permitiam o fluxo do comércio entre a Europa continental e as rotas atlânticas de ligação com nações insulares, como o Reino Unido, e com as nações vikings.

A descoberta também ajuda a desmontar a ideia dos vikings como um povo exclusivamente bárbaro e invasor, pois, no período em que se estima que a viga tenha integrado um navio, os escandinavos interagiam com o local de maneira comercial e estável, apesar de já terem ocorrido incursões e saques por volta de 834 e 837 d.C.

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A região da antiga Dorestad é destacada pela Agência de Herança Cultural dos Países Baixos como um ponto-chave em seu plano anual de pesquisa arqueológica nacional.