Brasil e Haiti se enfrentam pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo nesta sexta-feira (19), às 21h30. Enquanto a Seleção Brasileira busca encaminhar a classificação, o adversário caribenho carrega uma das histórias mais singulares do torneio. 

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Primeiro país da América Latina a conquistar a independência, por meio de uma revolta de escravizados, o Haiti passou mais de um século pagando uma dívida milionária imposta pela França após sua emancipação.

Veja fotos da camisa do Haiti para a Copa do Mundo 2026

Após a Revolução Francesa, que ocorreu em 1789, escravos no Haiti passaram a organizar um maior número de revoltas. Dois anos depois, um homem de origem jamaicana chamado Boukman liderou uma revolta numa grande plantação.

Os escravos destruíram as plantações e executaram todos os brancos que viviam na região. Foi a primeira ação de um movimento que se converteu em guerra civil e, depois, em batalha com as forças de Napoleão Bonaparte. A revolta durou 12 anos sem conseguir alcançar o objetivo final de expulsar os franceses.

Em 1º de janeiro de 1804, o Haiti declarou sua independência e Jean-Jacques Dessalines se tornou seu primeiro governante, inicialmente como governador-geral e, depois, como imperador Jacques 1º do Haiti, título que ele mesmo se deu.

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Dessalines deu a ordem para que todos os homens brancos fossem condenados à morte. Entre fevereiro e abril de 1804 ocorreu o chamado “Massacre do Haiti”, com a morte de 3 mil a 5 mil mulheres e homens brancos de todas as idades.

Dívida da independência do Haiti superou R$ 100 milhões

A movimentação contra os franceses trouxe uma posição negativa de várias nações: o Haiti não era reconhecido diplomaticamente. Portugal e Espanha deixaram o país como forma de prevenção para que a revolução não se espalhasse por outras regiões.

Desfile da Seleção Brasileira em Porto Príncipe, no Haiti, em 2004 (Foto: Nilton Santos, arquivo CBF)

Para ser reconhecido, o Haiti assinou um acordo com a França. Em troca, houve uma redução de 50% das tarifas alfandegárias às importações francesas e uma indenização de 150 milhões de francos (cerca de US$ 21 milhões hoje, R$ 108 milhões). O montante deveria ser pago em cinco parcelas.

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Se o governo não assinasse o tratado, o país continuaria isolado diplomaticamente e seria cercado por uma frota de embarcações de guerra francesas que estava na costa haitiana. O valor representava dez vezes as receitas anuais do governo haitiano.

País levou mais de um século para conseguir pagar

Para pagar a dívida da independência do Haiti, um banco francês emprestou 30 milhões de francos, que era o valor da primeira parcela. Foram deduzidos automaticamente 6 milhões, em comissões bancárias, sobrando 24 milhões de francos. Desta forma, o Haiti contraiu dívida com a França e com o banco.

Com valores impagáveis, a dívida foi reduzida pela metade em 1830. O Haiti teve que pedir grandes empréstimos a bancos americanos, franceses e alemães, com taxas de juros exorbitantes que comprometiam a maior parte das receitas nacionais.

Finalmente, em 1947, o Haiti terminou de compensar os produtores franceses. Foram 122 anos pagando dívidas desde a independência.

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França reconhece “injustiça” na cobrança ao Haiti

Emmanuel Macron, presidente da França, afirmou em 2025, que a dívida para reconhecer a independência do Haiti foi um “fardo pesado” para a recém-criada república, o que afetou o desenvolvimento da nação caribenha.

Macron admite “fardo pesado” em dívida cobrada pela França ao Haiti (Foto: Paulo Pinto, Agência Brasil)

— O último dos reis da França, em troca do reconhecimento e do fim das hostilidades, sujeitou o povo do Haiti a uma pesadíssima indenização financeira, cujo pagamento seria parcelado em décadas. Essa decisão colocou um preço na liberdade de uma jovem nação, que foi confrontada, desde o seu início, com a força injusta da história — afirmou.

*Com informações da BBC e Agência Brasil