Faltavam poucos minutos para o prazo final quando Ísis Leite enviou sua inscrição para participar da seleção do novo quadro Profissão Repórter Procura, que será exibido no Fantástico, sob o comando de Caco Barcellos, e que vai revelar um novo talento do jornalismo nacional.

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Aos 24 anos, a gaúcha de Alegrete, que adotou Santa Catarina como lar há uma década, está vivendo a alegria de ter sido escolhida para integrar o selecionado time de seis repórteres que passarão pela experiência. Tudo isso ocorre em paralelo com as angústias e os prazos apertados para a entrega de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

A trajetória de Ísis até o programa, que pode dar a chance de trabalhar lado a lado com um dos repórteres mais renomados do Brasil, passou por um processo seletivo que testou seus nervos desde o primeiro momento. A decisão de participar ocorreu apenas uma semana antes, e a inscrição foi enviada aos 45 minutos do segundo tempo. “Foi bem caótico. Decidi que ia participar uma semana antes e enviei a reportagem faltando um minuto para encerrar o prazo; eram 11h58 da noite”, relembra. Sem criar muitas expectativas, a estudante submeteu uma pauta sobre o desaparecimento das olarias em Santa Catarina.

Após uma etapa de entrevista com Caco Barcellos, a confirmação de que estava entre os finalistas veio de forma emocionante. Uma equipe de reportagem local foi até a sua casa sob o pretexto de gravar a rotina dos candidatos. Ao final da entrevista, sob a justificativa de mostrar uma matéria antiga do Profissão Repórter, os produtores exibiram um vídeo do próprio apresentador dizendo: “Ísis, parabéns, você foi selecionada”. “Eu fiquei em choque. A gente ficou muitos minutos sem reação. Nos abraçamos, choramos, foi bem emocionante e ainda demorou muito para cair a ficha”, conta a jovem, que estava acompanhada do namorado Giuliano, na hora do anúncio.

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Da paixão pelo Cinema ao Jornalismo

A paixão pela profissão, no entanto, é o resultado de uma caminhada cheia de descobertas. Inicialmente, a gaúcha sonhava em cursar Cinema, com foco na produção de documentários, mas encontrou no jornalismo a oportunidade de transitar por diversos assuntos e realidades de forma ágil. “Foi a única profissão que pareceu juntar tudo, na qual eu poderia falar sobre qualquer assunto, desde biologia até arquitetura, política ou esporte”, explica.

Para ela, o formato do programa tem total sinergia com suas preferências narrativas: “As reportagens do Profissão Repórter são minidocumentários de certa forma, por mais que passem na TV”. Apesar de gostar da linguagem do vídeo, ela confessa qual é a sua verdadeira motivação no campo: “O que mais me move é a parte da entrevista. Sair da minha zona de conforto, conhecer outros lugares, outras vivências e ouvir as histórias das pessoas que eu nem imaginava”.

O diferencial da vivência prática

Esse olhar sensível para o outro foi moldado ao longo da graduação. Ísis credita grande parte do seu preparo técnico à vivência prática proporcionada pela UFSC e ao seu trabalho na agência Papel Social, que já a levou para imersões jornalísticas na Amazônia e nos interiores do Maranhão e de Minas Gerais.

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“O diferencial da UFSC é a parte prática, o poder de explorar vários formatos”, pontua a estudante. “E a Papel Social ajudou muito por causa da prática também, porque fez com que eu viajasse e olhasse para uma pauta de perto. O campo faz toda a diferença na trajetória”. Foi essa experiência que a aproximou da cobertura de direitos humanos e populações vulneráveis. “Acabou que eu não consigo me ver cobrindo outra coisa”, afirma. Esse foco também guia a produção de seu TCC, no qual investiga a realidade de pessoas que vivem em hospais psiquiátricos.

Ao lado das colegas de curso Clara Spessatto e Júlia Santos da Rosa Matos, Ísis também produziu o documentário “Uma história de silêncios”, um dos três trabalhos reconhecidos pelo 15º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, em 2023, projeto liderado pelo Instituto Vladimir Herzog.

Com as malas prontas para as próximas etapas do programa em São Paulo e no Rio de Janeiro, a estudante não esconde a curiosidade para os desafios de apuração e a vivência de redação que estão por vir. Quando questionada sobre que tipo de olhar pretende levar para a tela da Globo, Ísis projeta seu futuro de forma direta: “Pretendo trazer pautas durante o programa que sejam voltadas para o lugar comum, histórias mais cotidianas da vida das pessoas que não aparecem muito na TV”.

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