O aumento dos casos de doenças respiratórias antes do esperado, em Santa Catarina, levou a Secretaria da Saúde (SES) a fazer um pedido especial ao Ministério da Saúde: a antecipação do envio das doses de imunizante contra a influenza. As vacinas já começaram a ser distribuídas aos municípios e um Dia D, realizado neste sábado (28), marca o início da campanha no Estado.

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São 224 mil doses que chegaram a Santa Catarina em uma primeira remessa. Elas foram enviadas proporcionalmente aos municípios, para vacinar inicialmente os grupos prioritários definidos pelo Programa Nacional de Imunizações: crianças, idosos, gestantes, profissionais de saúde e pessoas com comorbidades.

Imunizantes são distribuídos aos municípios nesta semana (Foto: Divulgação)

— O início antecipado da circulação do vírus exige uma resposta rápida e coordenada. Por isso, solicitei ao Ministério da Saúde a antecipação do envio das doses. A vacinação é a forma mais segura e eficaz de proteger a população, especialmente os grupos mais vulneráveis, e evitar o agravamento de casos que podem sobrecarregar a nossa rede de saúde — destaca o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi.

Vacinação em SC

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começa nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Cidades catarinenses como Joinville, Florianópolis, Blumenau e Itajaí aderiram ao Dia D e vão abrir as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e salas de vacinação no próximo sábado (28).

Quem pode receber a vacina da Influeza?

No Estado, 3,2 milhões de pessoas estão no grupo prioritário para receber a vacina, que inclui crianças entre 6 meses até os 6 anos de idade, idosos a partir dos 60 anos de idade, gestantes e puérperas, pessoas com doenças crônicas e deficiências permanentes.

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Conforme o diretor da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive), João Fuck, o principal objetivo da vacina da influenza é evitar a gravidade.

— Não é uma vacina que vai eliminar a transmissão por completo, não é uma vacina que vai proteger contra todos os vírus da influenza, mas vai te proteger daqueles que te causaram mais impacto na temporada anterior. E vai evitar, juntamente, a evolução para a gravidade. É fundamental que as pessoas busquem a vacina, especialmente os grupos prioritários que estão elencados para essa vacinação, que são aquelas pessoas que mais evoluem para a gravidade, que mais demandam hospitalização — alerta.

Casos de doenças respiratórias têm pico antes do esperado

A imunização é a principal ferramenta para evitar casos graves, internações e óbitos pela influenza, especialmente diante do alerta de maior circulação do vírus respiratório neste ano, com destaque para o subclado K do H3N2.

O início da campanha ocorre em um contexto de atenção redobrada, conforme a SES. Na Europa, a circulação do vírus da influenza começou mais cedo do que o habitual na temporada 2025/2026. Embora não haja evidências de maior gravidade associada a variante K, a maior transmissibilidade pode levar a um aumento significativo no número de casos.

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— Tivemos uma antecipação e um pico importante das doenças respiratórias. É preocupante, porque a gente antecipa a temporada. Nos meses de frio, que acaba tendo uma transmissão mais acentuada dessas doenças, podemos ter um longo período com impacto direto na rede de saúde — afirma o diretor da Dive.

Um levantamento do Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostra que os casos de doenças respiratórias aumentaram cerca de 95% nas últimas seis semanas em quase todo o Brasil. Até 14 de março, foram notificados 14,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, com cerca de 840 óbitos. Entre os casos graves, a influenza responde por 28,1% das infecções identificadas.

Somente em Santa Catarina, o Centro de Informações Estratégicas para a Festão do SUS (Cieges) registrou dois mil casos de SRAG confirmados em 2026, o que resultou em 96 mortes. Desse total, 20 foram causados por Covid-19 e 16 por influenza.