Antes de se tornar a “Dubai brasileira” e ser reconhecida pelo luxo presente no estilo de vida dos moradores, ou nos imponentes arranha-céus que apelidaram a cidade, Balneário Camboriú teve um início simples. Considerada uma pequena vila pesqueira nos primeiros anos de história, a cidade nasceu da pesca artesanal, da agricultura de subsistência e do extrativismo, muito antes da construção dos primeiros edifícios e da consolidação como um destino turístico.
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Um caderno histórico do projeto Janelas da Memória, elaborado pelos historiadores Mariana Schilikmann e Murilo Trevizol, e arquivado no acervo da Fundação Cultural de Balneário Camboriú, resgata as raízes do município e ressalta o papel que as atividades artesanais desempenharam durante a construção da cidade que é conhecida nos dias de hoje.
De acordo com o levantamento, a ocupação europeia da região começou entre 1822 e 1823, quando sete sesmarias, que eram grandes extensões de terra concedidas pelo governo da época, foram distribuídas a colonos que passaram a viver no território ao lado de indígenas, caiçaras, e da população escravizada.
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Fotos antigas ajudam a contar a história de Balneário Camboriú
Nesse período, Balneário Camboriú ainda não existia como município. Ao longo do século XIX, a região passou por diferentes divisões administrativas. Inicialmente, pertenceu a Porto Belo. Depois, com a criação do município de Itajaí, passou a integrar o novo território. Anos mais tarde, foi incorporada à então Vila de Camboriú, cuja economia era sustentada principalmente pela agricultura, pesca e extrativismo.
Atividades rurais e a pesca impulsionaram o crescimento da região
Durante décadas, a sobrevivência dos moradores esteve diretamente ligada aos recursos naturais. A extração de madeira e pedra foi uma das primeiras atividades econômicas da região e permaneceu importante por mais de um século. Com o tempo, a agricultura ganhou força, impulsionada pelo cultivo de café, fumo e mandioca, enquanto os engenhos familiares produziam farinha tanto para consumo quanto para comércio.
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O café chegou a ser considerado como o principal motor econômico da antiga Vila dos Garcia, que mais tarde se transformaria no centro administrativo de Camboriú. Já a pesca sempre caminhou lado a lado com a agricultura. Nas praias agrestes e no Bairro da Barra, as famílias viviam do que conseguiam plantar e pescar. A tradição caiçara moldou o cotidiano dos moradores durante décadas e permanece até hoje como um dos principais patrimônios culturais da cidade.
A mudança chegou na década de 1920, quando a então Praia de Camboriú, que até aquele momento era apenas um reduto de pescadores, passou a receber visitantes vindos principalmente de Itajaí e Blumenau, atraídos pelas belezas naturais do litoral. O aumento do fluxo de veranistas estimulou a construção das primeiras casas de temporada e dos hotéis pioneiros, marcando o início da hospedagem como fator econômico.
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Em 1928 foi inaugurado o Strand Hotel, conhecido como Hotel do Jacó, considerado a primeira hospedaria da Praia de Camboriú. Nos anos seguintes surgiram o Hotel Miramar, o Balneário Hotel e outros empreendimentos que ajudaram a consolidar a vocação turística da região, transformando um pequeno povoado de pescadores em um destino cada vez mais procurado durante o verão.
Turismo começa a levantar voo
Apesar de ter atingido um ritmo favorável, o crescimento do turismo na região onde hoje é a Praia Central sofreu uma interrupção durante a Segunda Guerra Mundial. Com a entrada do Brasil no conflito, Santa Catarina passou a ser fortemente monitorada pelo governo federal devido à expressiva população de origem alemã e italiana.
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Em Balneário Camboriú, prédios foram utilizados como base militar e a Colônia de Pescadores precisou encerrar as atividades em 1943, retomando o funcionamento apenas vinte anos depois. Terminada a guerra, o turismo voltou a ganhar força.
O número de visitantes cresceu rapidamente e, na década de 1950, a então Praia de Camboriú já apresentava um desenvolvimento superior ao restante do município de Camboriú. Entre 1951 e 1952, o número de casas saltou de 40 para 652, um crescimento de quase 1.200%, impulsionado pela expansão do turismo.
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A atividade turística ganhou um novo marco com a inauguração do primeiro hotel de luxo da cidade, o Fischer Hotel, que abru as portas no dia 15 de dezembro de 1957. O empreendimento se destacou por oferecer banheiro privativo em todos os quartos, uma estrutura rara para a época em todo o litoral catarinense.
Quando abriu as portas, o Fischer contava com quatro pavimentos, 26 quartos luxuosos, 18 apartamentos e suítes, além de espaços como refeitórios, sala de estar com lareira, terraço, auditório infantil e serviço de bar, com capacidade para receber até 108 hóspedes.
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O hotel chegou a receber hóspedes de diversas partes do mundo e personalidades da política brasileira, entre elas os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart. As visitas garantiram o apelido de “praia do presidente” para o local.
O movimento emancipacionista
Com a região caindo no gosto da população e a atividade turística indo de vento em popa, o movimento emancipacionista surgiu com o desejo de transformar a área em uma cidade própria, que valorizasse a região e os atributos naturais da área.
Em 1959 foi criado o Distrito da Praia de Camboriú e, cinco anos depois, após intensas negociações entre os vereadores, a localidade conquistou a autonomia administrativa. Em 20 de julho de 1964 nasceu oficialmente o município de Balneário Camboriú.
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Na divisão territorial, a nova cidade ficou com toda a faixa litorânea e as praias agrestes, enquanto Camboriú permaneceu com a maior parte da área rural, já que a cidade optou por não dividir os municípios através do Rio Camboriú, para não abrir mão do antigo Colégio Agrícola.
A evolução de Balneário Camboriú
A emancipação marcou o início de um período de crescimento acelerado. Foram implantados sistemas de abastecimento de água e esgoto, novos hotéis e restaurantes abriram as portas, surgiram as primeiras construtoras e os edifícios começaram a mudar a paisagem da cidade.
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Nas décadas seguintes vieram o primeiro hospital, a expansão da rede telefônica, o Calçadão da Central, eventos turísticos e uma série de investimentos que consolidaram Balneário Camboriú como referência nacional em turismo e desenvolvimento urbano.
Apesar da transformação radical da paisagem ao longo das últimas décadas, o projeto Janelas da Memória reforça que a identidade de Balneário Camboriú continua ligada às famílias caiçaras, aos pescadores, aos imigrantes e aos pioneiros que ajudaram a construir a cidade.
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Antes dos arranha-céus e do mercado imobiliário bilionário, a história do município começou nas margens do rio e do mar, onde pesca, agricultura e trabalho artesanal deram origem a uma das cidades mais conhecidas do litoral brasileiro.






































