Um morador de Blumenau transformou a paixão pelo futebol em uma coleção que já soma 186 camisas de clubes e seleções de diferentes partes do mundo. Entre peças raras, presentes de família e garimpos em brechós, Julimar José Pivatto reúne uniformes que contam histórias dentro e fora das quatro linhas.

Continua depois da publicidade

A coleção começou a ganhar forma no fim dos anos 2000. Na época, ainda morando em Jaraguá do Sul, ele encontrou em promoção uma camisa do Kaiserslautern, da Alemanha, da temporada 2005-06. Pouco tempo depois, comprou outra, do Genk, da Bélgica. Mas o hobby ficou sério mesmo nos últimos anos.

— Sempre fui um apaixonado por futebol e pela história do futebol. E os uniformes contam parte importante da história de clubes e seleções. O objetivo sempre foi ter o maior número de times e seleções diferentes, especialmente os mais alternativos, mais desconhecidos — conta Julimar.

O objetivo nunca foi reunir as camisas mais valiosas ou difíceis de encontrar. Pelo contrário. A ideia sempre foi ter a maior variedade possível de clubes e seleções, especialmente equipes menos conhecidas. Para isso, ele busca promoções em lojas, sites, grupos especializados e brechós.

O esforço resultou em um acervo organizado de forma quase profissional:

Continua depois da publicidade

— Elas ficam guardadas em ordem alfabética. Além disso, estão catalogadas em uma planilha em um Drive, identificando clube/seleção, ano do modelo e se é uniforme 1, 2, 3… E todas estão nos destaques do meu Instagram — revela o apaixonado por futebol.

Quando tudo começou

A história com as camisas, porém, começou antes da coleção. Em 1999, logo após o Flamengo conquistar o Campeonato Carioca, Julimar comprou a primeira camisa oficial com o próprio dinheiro. O uniforme, adquirido em uma loja após uma busca que passou por vários estabelecimentos, tem valor sentimental especial. Além de marcar a primeira compra feita por conta própria, a peça recebeu os autógrafos de dois ídolos rubro-negros: Zico e Andrade.

Entre todas as camisas guardadas, uma se destaca como a mais rara. Trata-se de um uniforme da seleção da Dinamarca de 1988, considerado também o mais antigo da coleção. A peça chegou às mãos dele por meio do sogro, que ganhou a camisa de um amigo que visitou o país europeu naquela época. Hoje, exemplares semelhantes são anunciados por mais de US$ 400 em sites internacionais de colecionadores. Outra relíquia é uma camisa da Juventus de 1996.

Continua depois da publicidade

— Essa da Juventus é uma história ainda mais curiosa. A minha esposa, que na época era uma adolescente, foi viajar para a Itália e trouxe de presente para o pai dela. Acabou que virou um presente para mim. E é uma camisa icônica, porque o time usou esse modelo no título da Liga dos Campeões daquele ano — revela o morador de Blumenau.

As aquisições vêm de diferentes fontes. Além de compras em grupos de WhatsApp, Facebook e brechós especializados, ele participa de um clube de assinatura que envia mensalmente uma camisa surpresa. Também recebeu diversas peças de familiares e amigos ao longo dos anos. O resultado é uma coleção que reúne desde grandes clubes europeus até equipes pouco conhecidas do futebol brasileiro, como Palmas, do Tocantins, Genus, de Rondônia, Parnahyba, do Piauí, além de times catarinenses que já encerraram as atividades.

Um hobby caro

Embora tenha camisas que hoje poderiam alcançar valores expressivos no mercado de colecionadores, Julimar garante que nunca vendeu, trocou ou emprestou nenhuma delas. A camisa do Flamengo comprada em 1999, por exemplo, já foi vista à venda por cerca de R$ 1 mil. Com os autógrafos, acredita que poderia valer até R$ 1,5 mil.

Continua depois da publicidade

Ele, inclusive, já foi abordado por interessados em comprar algumas, especialmente a terceira camisa do Flamengo de 1995, que ele ganhou de um amigo. Hoje, é objeto de desejo de muitos colecionadores, sobretudo de quem é focado apenas em camisas do Flamengo.

— A mais cara que paguei foi uma do Mainz, da Alemanha, mas é porque paguei em euros e comprei usada no E-bay. Mas foi nada exorbitante, deu uns R$ 350. Como disse, meu objetivo não é pagar caro, é ter coisas diferentes, de clubes alternativos — explica.

Ele cita ainda duas da década de 1990 que pagou barato. Uma da Desportiva, do Espírito Santo, e outra do Marília, de São Paulo. Comprou elas usadas, há uns dez anos, em um brechó que vendia “roupa normal”. Foram R$ 100 as duas juntas. Uma camisa dos anos 90 não costuma sair por menos de R$ 200, ainda mais em ótimo estado, complementa Julimar.

Mesmo com quase duas centenas de peças, a busca continua.

— Queria muito uma camisa do Flamengo campeão brasileiro de 1992, o primeiro grande título que acompanhei como torcedor, eu tinha 12 pra 13 anos. Mas são peças bem raras. Outra que gostaria muito é a do Brasil de 94. Curiosamente, essa meu pai tinha, mas não era original — revela.

Continua depois da publicidade