Uma paciente de 80 anos, diagnosticada com Alzheimer avançado, voltou a falar mais, interagir com familiares e caminhar melhor após receber psilocibina, substância presente nos chamados “cogumelos mágicos”. O caso chamou atenção porque algumas mudanças apareceram horas depois da dose e duraram por um período limitado.
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O relato, porém, precisa ser lido com cautela. Trata-se de uma única paciente, sem grupo de comparação e sem prova de que a doença tenha sido revertida. A melhora foi temporária, e os próprios autores defendem que o caso sirva como ponto de partida para novas pesquisas, não como recomendação de tratamento.
Caso curioso
O indivíduo convivia havia cerca de dez anos com declínio cognitivo. Nos anos anteriores ao relato, falava pouco, dependia de cuidadores, tinha dificuldade para se locomover e apresentava incontinência urinária.
Depois da psilocibina, os pesquisadores observaram mudanças incomuns. O paciente passou a falar de forma mais espontânea, demonstrou mais interação social, conseguiu caminhar com mais facilidade e apresentou melhora no controle urinário.
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Uma segunda sessão foi realizada cerca de um mês depois. Segundo o relato, houve nova melhora na comunicação, no humor e na agilidade.

Hipótese relevante
O Alzheimer avançado costuma provocar perda progressiva de memória, fala, autonomia e funções motoras. Por isso, qualquer recuperação, mesmo parcial e passageira, desperta interesse científico.
Uma das hipóteses é que algumas funções não estivessem totalmente apagadas, mas difíceis de acessar por causa da doença. A psilocibina poderia ter provocado uma mudança temporária nas redes cerebrais, permitindo que certas capacidades reaparecessem.
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Ainda assim, essa é apenas uma hipótese. O caso não permite afirmar que a substância funciona contra Alzheimer.
No limiar da descoberta
O ponto mais importante é que não se trata de cura. A psilocibina pode causar alterações intensas de percepção, ansiedade, confusão e outros efeitos, especialmente em pessoas vulneráveis.
Além disso, o relato envolve apenas uma paciente e não substitui estudos clínicos maiores, com acompanhamento rigoroso, exames padronizados e comparação com outros grupos.
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Por isso, especialistas tratam o resultado como curioso e promissor para investigação, mas ainda distante de uma aplicação médica segura.
O que esperar no futuro
A pergunta que fica é se pacientes com demência avançada ainda podem preservar funções que a medicina não sabe acessar plenamente. Para responder, será preciso testar a hipótese em estudos controlados, com mais participantes e regras rígidas de segurança.
Até lá, a psilocibina deve continuar sendo vista como substância experimental nesse contexto. O caso impressiona, mas não muda a orientação para pacientes e familiares: qualquer tratamento para Alzheimer precisa ser acompanhado por profissionais de saúde.
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