O campo de futebol do Costão do Santinho tem ficado lotado de crianças que estão participando do Barcelona Camp, a escolinha de futebol que acontece nesta semana no norte da Ilha. Entre os atletas, está o Arthur Felipp, o menino de 9 anos que foi selecionado para uma bolsa pelo clube.

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O garoto está conhecendo as técnicas, táticas e filosofia do time catalão. Ele e a mãe, a dona Cleide Mere, estão tendo tendo uma rotina pesada. Precisam pegar três ônibus, do Saco dos Limões até extremo norte da Ilha. Mais três para voltar. A viagem é de duas horas. O treinador do menino, o Ezequiel Machado, está apoiando com o dinheiro para as passagens.

Os treinos começam às 14h30 e seguem até às 17h30, tudo com muito rigor e disciplina dos professores. A pausa para o lanche é coisa rápida. Arthur está bem entrosado em meio as outras crianças, parece bem dedicado e diz que já aprendeu muitas novidades. Só não gostou quando o professor o colocou na lateral.

— Eu não sou lateral, eu sou atacante. E ali eu sofri uma lesão, entrou a trava da chuteira no meu joelho e doeu um pouco — reclamou.

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(Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS)

Há cinco meses no Brasil, quem coordena a FCBEscola é espanhol Agustin Peraita, de 29 anos. O jovem técnico explica que a iniciativa de selecionar uma criança que não tenha condições de arcar com os mais de R$ 1.100 faz parte da filosofia do clube.

— É uma ideia que combina com nossos valores. Temos outros projetos que adotam crianças que são bons de bola. A gente inclusive pode aprender muito com eles também. Para nós, é importante que a criança mereça essa bolsa, que seja exemplar no colégio, com a família, que tenha valores perto dos nossos e que nos sentiremos orgulhosos de trabalhar com ela — explica.

No entanto, o treinador não dá esperanças.

— Estamos aqui para arrumar o próximo Neymar antes que ninguém? Não. O Barça é muito respeitoso com a normativa Fifa que prevê que o clubes não podem pegar um menino de fora da sua família antes dos 18 anos. A ideia não é observar um talento de 14 anos e levar ao Barcelona para treinar lá. A ideia é mostrar a experiência e metodologia do Barcelona numa formação no Brasil e para o Brasil. Para nutrir escolinhas e clubes brasileiros — afirma.

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Por isso, a experiência é tão importante para o menino. Ele revela que os tipos de jogos na Escola do Barça são diferentes do que aprendeu até agora, como toque de bola, chutes e marcação.

— Quando eu voltar pra escolinha do Saco dos Limões, vou surpreender eles com novos chutes a gol — garante.

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