Imagine encontrar um segredo sombrio em uma ilha. Foi o que aconteceu com o turista Sam Down recentemente. Ele viu de perto como a natureza é impiedosa com os mais frágeis. O viajante descreve sua experiência como horrível ao ver a Pisonia grandis.

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O que o turista realmente encontrou?

Durante uma visita a uma ilha tropical, o australiano Sam Down se deparou com um cenário que descreveu como “horrível”: aves presas no solo após contato com as sementes da Pisonia grandis — uma espécie nativa de ambientes costeiros.

O choque visual é comum entre visitantes porque a árvore não esconde sua brutal eficiência: sementes cobertas por resina escura aderem facilmente às penas, imobilizando aves pequenas.

Como as sementes da árvore rara capturam aves?

A árvore usa uma estratégia de dispersão extremamente agressiva:

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  • Sementes com resina pegajosa aderem às penas.
  • Aves pequenas não conseguem mais voar.
  • Adultos evitam ajudar filhotes, para não ficarem presos também.
  • O solo fica repleto de aves que não conseguem se libertar.

Essa dinâmica, apesar de devastadora à primeira vista, faz parte do ciclo natural da espécie — não se trata de “caça” planejada, mas de uma consequência da aderência excessiva necessária para que a semente viaje longas distâncias.

Por que os moradores pedem para não interferir na árvore?

Guias reforçam que tocar nas aves ou remover sementes pode beneficiar apenas o indivíduo, mas prejudicar a reprodução natural da árvore e de outras espécies dependentes daquele ambiente.

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Para a comunidade local:

  • A morte das aves é vista como parte do ciclo natural,
  • A intervenção humana pode desequilibrar o ecossistema,
  • E o turismo pode gerar boa intenção mal aplicada, alterando processos ecológicos sensíveis.

A estratégia ecológica da árvore funciona mesmo?

A lógica evolutiva seria a seguinte:
As sementes grudam nas aves que conseguem suportar o peso e voar, permitindo que a planta colonize novas áreas, seguindo rotas migratórias de espécies marinhas.

Essa teoria se apoia em três pilares:

  • Nutrientes de matéria orgânica quando aves morrem sob a copa.
  • Dispersão a longas distâncias pelas costas e ilhas.
  • Aproveitamento de solos pobres típicos de ilhas tropicais.

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O que diz a ciência sobre a eficiência desse processo?

Estudos conduzidos na Ilha Cousin, um dos locais mais estudados do mundo em ecologia insular, trouxeram conclusões surpreendentes:

  • A taxa de mortalidade das aves presas é alta,
  • mas não há evidência de que isso aumente a germinação das sementes,
  • e os dejetos das aves vivas parecem ser mais importantes para a fertilidade do solo do que seus corpos.

Ou seja: a estratégia pode não trazer o benefício evolutivo que se imaginava.

Alguns pesquisadores sugerem que o mecanismo de aderência exagerada pode ser um resquício evolutivo — algo que funcionou no passado, mas hoje opera de maneira pouco otimizada. Um fenômeno natural que persiste porque não houve pressão seletiva suficiente para eliminá-lo.

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