Imagine uma explosão no céu que dure cerca de sete horas. Foi o que aconteceu em 2 de julho de 2025, quando um sinal de alta energia permaneceu ativo por tempo suficiente para derrubar todos os recordes.

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Catalogado como GRB 250702B, o evento expôs um limite dos modelos clássicos. Ele chegou a parecer três rajadas sucessivas, vindas da mesma região, mas a análise indicou um único fenômeno extremo.

Explosões de raios gama (GRBs) estão entre os eventos mais poderosos já observados no Universo. São rajadas de radiação de altíssima energia, vindas do espaço profundo, capazes de liberar em instantes uma quantidade gigantesca de energia.

A história desses sinais também é incomum: eles não foram descobertos em observatórios científicos, mas por satélites militares dos EUA, nos anos 1960. A missão era vigiar possíveis testes nucleares, e os instrumentos acabaram registrando flashes vindos do espaço.

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Na época, ninguém sabia explicar o que estava acontecendo. Só décadas depois, com mais dados e telescópios melhores, os astrônomos ligaram esses clarões a eventos cósmicos extremos.

O que foi descoberto no GRB 250702B

O diferencial do GRB 250702B foi a duração. Em vez de segundos ou minutos, a emissão se estendeu por cerca de sete horas, somando aproximadamente 25 mil segundos de radiação contínua. 

Isso colocou o evento acima de todos os registros anteriores e abriu uma pergunta inevitável: que tipo de mecanismo consegue sustentar um jato energético por tanto tempo?

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A confusão inicial também ajudou a tornar o caso especial. O que parecia ser uma explosão isolada foi seguido por outras duas rajadas, como se o céu tivesse “piscado” três vezes na mesma direção. 

Com a análise detalhada, os pesquisadores concluíram que se tratava de um único fenômeno, com uma emissão prolongada e estruturada, e não de episódios independentes.

Como os astrônomos detectam um GRB

Grande parte desses alertas nasce de telescópios de alta energia que observam o céu de forma ampla, rastreando grandes regiões ao mesmo tempo. 

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Eles procuram por sinais que se destaquem do ruído natural de fundo, e, quando algo foge do padrão, sistemas automáticos disparam notificações para centros de análise e equipes de acompanhamento.

Foi esse tipo de monitoramento que permitiu identificar o GRB 250702B como um evento de duração recorde, reunindo dados suficientes para mostrar que as “três rajadas” faziam parte de uma mesma história.

Por que esse evento desafia as explicações tradicionais

Até hoje, os modelos mais conhecidos para explosões de raios gama geralmente envolvem cenários rápidos e violentos, como:

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  • Colapso de estrelas massivas, com formação de buraco negro e ejeção de jatos relativísticos
  • Fusão de duas estrelas de nêutrons, liberando energia extrema em pouco tempo

O problema é que esses mecanismos, do jeito como são descritos na teoria clássica, não costumam produzir emissões sustentadas por horas. Quando um sinal “não cabe” no manual, ele obriga os cientistas a revisar detalhes do que já se acreditava entender.

A hipótese alternativa que entrou no radar

Diante da duração incomum, pesquisadores passaram a considerar modelos alternativos, incluindo um processo apelidado de “fusão de hélio”. 

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A ideia, em linhas gerais, é que um buraco negro em órbita de uma estrela rica em hélio possa acabar penetrando na atmosfera desse astro e, ao consumir esse material por mais tempo, sustente um jato energético por um período muito maior do que o esperado em cenários tradicionais.

Ainda é cedo para tratar uma explicação como definitiva, mas o caso GRB 250702B já cumpriu um papel importante: mostrar que o Universo ainda guarda eventos que escapam do padrão e que, justamente por isso, ajudam a refinar o que a astronomia entende sobre a morte de estrelas, colisões cósmicas e o comportamento dos buracos negros.

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*Por Raphael Miras