Ao contrário de adaptações baseadas em jogos, quadrinhos ou livros, “Backrooms” adapta uma ideia. O filme da A24 parte de uma lenda criada pela internet e alimentada por vídeos, fóruns e teorias de usuários por toda a internet.
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O fenômeno ganhou vida nova em 2026, quando o longa dirigido por Kane Parsons chegou aos cinemas e arrecadou mais de US$ 300 milhões pelo mundo. Porém, para entender completamente o universo de Backrooms é preciso voltar para as raízes.
A história nasce de uma creepypasta publicada no 4chan, cresce em comunidades online e ganha forma audiovisual no YouTube. Seu ponto de partida é simples e assustador: a ideia de cair, por acidente, em espaços que parecem reais, mas não deveriam existir.
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O que são os Backrooms?
Na versão mais conhecida da lenda, os Backrooms são um labirinto aparentemente infinito de salas vazias, paredes amareladas, carpete úmido, luz fluorescente e corredores que parecem se repetir para sempre.
A entrada acontece por “noclip”, termo vindo dos videogames. Ele descreve o momento em que um personagem atravessa uma parede ou sai dos limites do mapa por causa de um bug. Nos Backrooms, esse erro acontece com a própria realidade.
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A pessoa não abre uma porta comum. Ela simplesmente escapa do mundo por um ponto errado e cai em um espaço que não deveria existir, um “não-lugar”, como diz o subtítulo do filme. Esses ambientes costumam ser liminares, ou seja, lugares de passagem física ou simbólica.
Origem da lenda
A origem mais famosa está em uma imagem publicada em 2019 no 4chan, dentro de uma discussão sobre fotos desconfortáveis que pareciam “erradas”. A imagem mostrava um espaço vazio, parecido com escritório antigo ou área comercial abandonada.
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Pouco depois, um usuário anônimo associou aquela foto a uma história curta. O texto dizia que, se alguém não tomasse cuidado e “noclipasse” para fora da realidade, acabaria preso nos Backrooms.
A descrição citava carpete úmido, amarelo sufocante, zumbido de lâmpadas fluorescentes e a sensação de que algo poderia estar à espreita. Bastaram uma imagem, um nome e um parágrafo para a internet começar a construir uma mitologia.
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A força dos Backrooms está justamente nessa abertura. Como a base é simples, cada usuário pode adicionar seus próprios níveis, entidades e criaturas. O resultado é uma lenda coletiva, fragmentada e sempre incompleta.
Por que Backrooms dá medo?
Backrooms assusta porque não parece totalmente inventado. O cenário lembra escritórios antigos, corredores de escola, lojas vazias, hotéis baratos, shoppings fora do horário e salas comerciais sem vida.
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São lugares comuns, mas vistos sem pessoas, sem função e sem saída clara. O medo nasce dessa distorção: o ambiente parece conhecido, mas algo nele está fora do lugar.
O pesquisador Bradley Earl Wiggins interpreta os Backrooms como uma lenda urbana digital baseada em seu artigo para a revista New Media & Society sobre “liminaridade sem fim”. Em outras palavras, é um espaço de passagem que nunca leva a lugar nenhum.
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Um corredor existe para levar alguém de um ponto a outro. Uma sala comercial existe para ser ocupada. Quando esses lugares perdem função, gente e destino, eles viram uma espécie de não-lugar.
Espaços liminares são ambientes de transição, como aeroportos, corredores, estacionamentos, ônibus e salas de espera. Eles existem para passagem, mas raramente são imaginados como destino final.
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Na lenda, o espaço intermediário vira prisão. O transitório se torna eterno. O personagem não está exatamente no mundo real, mas também não chegou a outro lugar compreensível. Ele fica preso no meio.

Por isso, a lenda combina tanto com a estética da internet. Fotos de shoppings abandonados, escolas vazias e hotéis antigos viralizam porque parecem memórias coletivas de lugares que todo mundo reconhece, mesmo sem saber de onde.
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Papel de Kane Pixels
A popularidade atual dos Backrooms passou muito pelo trabalho de Kane Parsons, conhecido como Kane Pixels. Em 2022, ele publicou no YouTube o vídeo “The Backrooms (Found Footage)”, que transformou a lenda em terror analógico.
O vídeo simula uma filmagem encontrada, gênero conhecido como found footage: com câmera antiga, ruídos, imagem instável e sensação de registro perdido. O efeito lembra o impacto de “A Bruxa de Blair”: o espectador não sente que está vendo apenas ficção, mas uma prova de algo real.
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A partir daí, Kane Pixels ampliou a mitologia com novos vídeos, instituições misteriosas, experimentos, datas, documentos e uma atmosfera de conspiração científica. A lenda deixou de ser só um lugar estranho e ganhou uma história maior.
O filme da A24 nasce dessa ponte entre lenda online e narrativa audiovisual. O longa adapta a visão de Parsons sobre o conceito, mas também tenta organizar um terror que, na internet, sempre funcionou por fragmentos e lacunas.
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O filme da A24
“Backrooms” chegou aos cinemas em 2026 com direção de Kane Parsons e elenco liderado por Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve. A história usa a mitologia dos espaços liminares para transformar o familiar em ameaça.

Essa expansão conversa com a própria origem da lenda. Nos fóruns e wikis, os Backrooms nunca foram uma história fechada. Sempre pareceram um arquivo em crescimento, com novas camadas adicionadas por quem entra no labirinto.
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Pandemia como catalisador
Cho e Underberg-Goode também relacionam os Backrooms ao período da Covid-19 em seu trabalho acadêmico. A proposta não é “sobre” a pandemia de forma direta, mas como ela fez com que o conceito crescesse em um momento marcado por isolamento, ausência e espaços esvaziados.

Nesse contexto, os Backrooms funcionam como uma imagem extrema da solidão moderna. Eles mostram um mundo sem multidão, sem rotina e sem referência humana, em que a pessoa caminha por cenários que deveriam ter vida, mas parecem abandonados.
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