A informação de que Santa Catarina será afetada por um El Niño — que pode chegar à intensidade muito forte — trouxe à tona uma pergunta: a barragem de José Boiteux, a maior contra enchentes no Vale do Itajaí, vai funcionar quando as chuvas frequentes chegarem? A estrutura está com uma comporta emperrada desde 2023 e a casa de máquina simplesmente não existe mais. A ordem de serviço para consertar esses estragos foi assinada nesta segunda-feira (18) e o prazo de execução dos trabalhos é de 12 meses a partir de agora.

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De acordo com a Defesa Civil do Estado, o aumento das chuvas deve começar de forma progressiva a partir do próximo mês. Já em setembro, os efeitos do El Niño ganham mais intensidade. Porém, a maior preocupação está concentrada na primavera. O pico é esperado entre novembro e janeiro. A última vez que o fenômeno ocorreu, há três anos, foi quando, pela primeira vez desde a construção, a barragem de José Boiteux chegou ao limite da capacidade e verteu.

Agora, a Defesa Civil diz que a primeira missão da Construtora e Incorporadora Saks LTDA, de Videira, é desempenar a comporta emperrada fechada. Essa estrutura funciona literalmente como uma porta. Quando está aberta, a água represada na barragem desce pelo Rio Itajaí do Norte em direção ao mar. Quando está fechada, mantém a água dentro do reservatório. Essa é a estrutura contra enchentes que mais afeta a região de Blumenau, onde vivem cerca de 1,5 milhão de pessoas.

O segundo passo deve ser a recomposição da casa de máquinas. A estrutura praticamente não existe mais e todos os maquinários foram depredados, alguns, inclusive, sumindo do local. Hoje, quando precisa abrir ou fechar as comportas, um caminhão hidráulico vai ao local e faz a ativação manual. A reforma deve mudar esse cenário, com a instalação de um sistema de ativação remoto, que pode ser ativado com apenas alguns cliques direto da sede da Defesa Civil do Estado, na Capital.

A reforma da barragem de José Boiteux foi licitada por R$ 9,9 milhões. O governo Jorginho Mello vai pagar R$ 4,6 milhões. Os outros R$ 5,3 milhões serão custeados pelo governo Lula.

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