Antes da popularização dos despetadores mecânicos e dos smartphones, a pontualidade das cidades industriais da Grã-Bretanha dependia de uma figura: o knocker up. A pesquisa Knocker Ups: A Social History of Waking Up in Victorian Britain’s Industrial Towns (Despertares: Uma História Social do Acordar nas Cidades Industriais da Grã-Bretanha Vitoriana), detalhou essa profissão.
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De acordo com o estudo, conhecidos como “despertadores humanos”, esses profissionais eram contratados para garantir que os operários não perdessem o início do turno nas fábricas, em uma época em que o tempo passava a ser sinônimo de dinheiro.
O serviço era essencial porque o atraso nas fábricas resultava em multas pesadas e até demissões. Como os relógios com alarme eram caros e pouco confiáveis no século 19, os operários pagavam cerca de dois pence por semana para serem acordados.
Técnicas e ferramentas
Para não acordar a vizinhança inteira, o que significaria “serviço grátis” para quem não pagava, os knocker ups desenvolveram métodos discretos. Enquanto alguns usavam varas longas de bambu ou de pesca para bater suavemente nas janelas dos andares superiores, outros utilizavam zarabatanas para disparar ervilhas contra os vidros até que o cliente desse um sinal de que estava de pé.
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Mulheres e policiais no mercado
De acordo com a pesquisa, embora a maioria dos profissionais fosse homens, as mulheres tiveram papel de destaque no setor. Figuras como Mary Smith, em Londres, e Mary Filleroft, em Manchester, tornaram-se famosas. Filleroft, inclusive, obteve tanto sucesso que passou a atuar como emprestadora de dinheiro para outros trabalhadores. Até mesmo policiais aproveitavam as rondas da madrugada para complementar a renda atuando como despertadores.
Riscos da profissão
A rotina, no entanto, era perigosa, segundo a pesquisa. Trabalhando entre 3h e 6h da manhã, esses profissionais enfrentavam neblina densa e poluição. Relatos históricos apontam mortes por afogamento em canais devido à baixa visibilidade e atropelamentos por bondes nas primeiras horas do dia. Com a queda no preço dos relógios mecânicos e a evolução tecnológica, a profissão entrou em declínio.





