Hilderaldo Luís Bellini foi um dos maiores líderes de todos os tempos no futebol e o primeiro a erguer o troféu de campeão mundial de futebol pela Seleção Brasileira, na Suécia em 1958. Ele nasceu em Itapira, no coração de São Paulo, e personificou a dureza e a lealdade como jogador.

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Bellini era o “xerife” oficial da defesa do Vasco da Gama e da Seleção Brasileira. Sua foto levantando a Taça Jules Rimet acima da cabeça com as duas mãos tornou-se um dos ícones esportivos do país e até lhe rendeu uma estátua no Estádio do Maracanã em 1960.

Ele jogou 51 partidas pela Seleção Canarinho, além de ter passagens marcantes por São Paulo e Athletico Paranaense. Ele morreu em 2014, após 18 anos lutando bravamente contra a doença de Alzheimer, mas sua contribuição duradoura na Suécia ainda está viva na identidade universal de todos os esportes.

A carreira de Bellini

O defensor começou em sua cidade natal, pela Sociedade Esportiva Itapirense. Em São João da Boa Vista — de 1949 a 1951 — defendeu o time do Sanjoanense. Seu grande salto na carreira foi em 1952, quando foi contratado pelo Vasco da Gama como parte de uma nova era de reconstrução do clube carioca.

Em São Januário, Bellini se tornou ídolo e conquistou os títulos do Campeonato Carioca em 1952, 1956 (ano em que foi eleito o melhor jogador do torneio) e 1958, além do Torneio Octogonal Rivadavia Corrêa Meyer em 1953 e do Torneio Rio-São Paulo em 1958.

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Sua grande presença física e o respeito que tinha em campo logo lhe garantiram um lugar na Seleção Brasileira. Em 1957, o técnico Vicente Feola lhe deu a braçadeira de capitão e o xerife em um elenco cheio de estrelas ajudou a dissipar de uma vez por todas o medo de outro fracasso que ainda assombrava o esporte brasileiro pelos Mundiais de 1950 e 1954.

A Copa do Mundo de 1958 e o gesto que mudou o futebol

Na Suécia, em 1958, a solidez defensiva de Bellini permitiu que talentos lendários como Pelé e Garrincha jogassem livremente no setor ofensivo e o Brasil conquistou seu primeiro título mundial. Após a histórica vitória por 5 a 2 contra o time anfitrião na partida final, Bellini, quando foi receber o troféu, foi engolido por uma multidão de fotógrafos quando eternizou o gesto que mudou o futebol.

Estátua em homenagem a Bellini e o gesto histórico, instalada na frente do Maracanã (Foto: Јакша at Serbian Wikipedia)

Como a imprensa pediu para ele mostrar o prêmio, Bellini fez um movimento instintivo e agarrou a Taça Jules Rimet com as mãos; ele a levantou bem acima da cabeça para que as pessoas pudessem ver e fotografar.

Este ato puramente espontâneo e prático quebrou os protocolos da época e, no processo, estabeleceu uma nova tradição global. Desde então, o gesto tem sido repetido por todos os campeões mundiais em vários eventos esportivos ao redor do mundo.

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Pós-Copa do Mundo

Após as glórias na Europa, Bellini seguiu vestindo a camisa do Vasco até o início de 1962, quando se transferiu para o São Paulo.

No Tricolor Paulista, ele passou seis anos, e embora o clube estivesse no meio de uma seca de grandes títulos, com a construção do Estádio do Morumbi no centro de seus planos, o veterano ainda venceu torneios internacionais amistosos de prestígio, como a Pequena Copa do Mundo em 1963, na Venezuela.

Bellini também venceu a Copa do Mundo de 1962 no Chile (ele era reserva do defensor Mauro Ramos) e se tornou o capitão titular da equipe na Copa do Mundo de 1966 na Inglaterra. Ele encerrou sua carreira profissional no Athletico Paranaense em 1969.

O craque morreu décadas depois, em março de 2014, devido a uma parada cardíaca causada pelo Alzheimer, mas seu gesto será eterno e repetido em todas as finais que existirem, não só no futebol, mas no esporte.

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