A cantora galesa Bonnie Tyler, uma das vozes mais reconhecíveis da música pop-rock internacional das últimas décadas, morreu na noite desta quarta-feira, 8 de julho de 2026, aos 75 anos, no Hospital de Faro, no Algarve, em Portugal.

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A confirmação foi feita nesta manhã de quinta-feira, 9 de julho, em comunicado oficial publicado no site e no Facebook da artista, e replicado por veículos como BBC e CNN Portugal, entre outros.

“A família e a equipe da Bonnie estão devastadas por anunciar que ela morreu inesperadamente ontem à noite num hospital em Portugal, em consequência da doença que estava a ser tratada”, diz o comunicado da família e da equipe da cantora. “Em breve, divulgaremos um novo comunicado, mas por agora, pedimos privacidade para lidar com esta tragédia.”

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Bonnie Tyler (Foto: Tina Korhonen/Divulgação)

Bonnie Tyler estava internada desde o final de abril, após ser submetida a cirurgia de emergência por perfuração intestinal. Passou por coma induzido, parada cardiorrespiratória e semanas em cuidados intensivos. Havia despertado do coma no meio de junho, com evolução considerada lenta pelos médicos, mas não resistiu à doença.

Deixa um legado musical de mais de cinco décadas, marcado por sucessos como “Total Eclipse of the Heart” (1983), “Holding Out for a Hero” (1984), “It’s a Heartache” (1977) e “Lost in France” (1976), sua estreia comercial. A seguir, o que se sabe sobre a morte, o contexto de saúde recente, e um resumo da trajetória que fez de Bonnie Tyler um ícone do pop-rock dos anos 1980.

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O que se sabe sobre a morte

Segundo o comunicado oficial publicado pela família e pela equipe da cantora no site e no Facebook de Bonnie Tyler, a artista morreu “inesperadamente” na noite do dia 8 de julho de 2026, no hospital onde estava internada. A causa é atribuída “à doença para a qual estava a ser tratada”, sem detalhamento adicional. A família pediu privacidade para lidar com o momento.

Bonnie estava internada no Hospital Distrital de Faro, no Algarve, região do sul de Portugal onde residia há anos com o marido, o empresário Robert Sullivan, com quem era casada desde 1973.

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Contexto de saúde recente

O quadro de Bonnie Tyler se agravou ao longo de vários meses. A cronologia divulgada por veículos portugueses e internacionais indica:

  • Final de abril de 2026: internada no Hospital de Faro após quadro grave de infecção intestinal. Submetida a cirurgia de emergência para tratar perfuração intestinal
  • Início de maio: cirurgia inicial descrita como bem-sucedida, mas quadro infeccioso se agravou
  • Maio: cantora colocada em coma induzido para permitir os tratamentos contra infecção generalizada. Levada aos cuidados intensivos
  • Maio/junho: sofreu parada cardiorrespiratória e foi reanimada pela equipe médica
  • Meados de junho: saiu do coma induzido, mas permaneceu em cuidados intensivos, com quadro grave e prognóstico reservado
  • Final de junho e início de julho: família comunicou que os médicos estavam confiantes na recuperação, mas a evolução era lenta
  • 8 de julho: morreu no hospital
  • 9 de julho: confirmação oficial

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Durante o período em que Bonnie esteve internada, várias datas da turnê de verão de 2026 foram canceladas ou adiadas. A cantora tinha compromissos em Malta, Alemanha e outros países da Europa, além de uma turnê planejada para celebrar os 50 anos de seu single de estreia, “Lost in France” (1976).

Capa do single ‘It’s a Heartache’, lançado em 1977(Foto: Reprodução)

Quem foi Bonnie Tyler

Bonnie Tyler nasceu Gaynor Hopkins em 8 de junho de 1951, na cidade de Skewen, no sul do País de Gales. Filha de uma dona de casa e de um mineiro veterano da Segunda Guerra Mundial, cresceu com três irmãs e dois irmãos em uma casa de habitação social. A infância era marcada pelo canto da mãe enquanto fazia as tarefas domésticas.

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Ainda criança, começou a imitar Janis Joplin e Elvis Presley em frente ao espelho. Aos 17 anos, foi inscrita por uma tia em um concurso local de talentos. Cantou “Can’t Stop Loving You”, de Elvis, e ficou em segundo lugar, para um acordeonista. “Não me importei de ficar em segundo, mas não fiquei contente por ter ficado atrás de um acordeonista”, contou anos depois à revista Louder.

A partir dali, entrou no circuito de pubs e clubes do País de Gales, cantando em várias bandas, sob o nome artístico inicial de Sherene Davis. Sete anos depois, em 1975, foi descoberta por acaso pelo caça-talentos Roger Bell, que a viu se apresentar em uma discoteca. Foi ele quem sugeriu o nome artístico Bonnie Tyler, com o qual se tornaria mundialmente conhecida.

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A cantora galesa Bonnie Tyler nos anos 80 e em foto recente (Foto: Divulgação, Site Oficial)

Os sucessos que marcaram época

“Lost in France” (1976)

O primeiro grande sucesso comercial de Bonnie Tyler chegou em 1976, com “Lost in France”, canção que estabeleceu seu estilo inicial: country e soft rock, com voz rouca e emocional. O single alcançou boas posições nas paradas europeias e abriu caminho para os discos seguintes.

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“It’s a Heartache” (1977)

Em 1977, veio o hit “It’s a Heartache”, que se tornou um fenômeno internacional. Alcançou o top 3 no Reino Unido e nos Estados Unidos, e consolidou Bonnie como uma das vozes femininas mais reconhecíveis do pop-rock da época. Sua voz rouca característica, causada por uma cirurgia nas cordas vocais no início da carreira, tornou-se sua marca registrada.

“Total Eclipse of the Heart” (1983)

O maior sucesso da carreira de Bonnie Tyler veio em 1983, com “Total Eclipse of the Heart”, escrita por Jim Steinman, o compositor por trás de “Bat Out of Hell”, de Meat Loaf. A canção teve uma origem curiosa: originalmente intitulada “Vampires in Love”, foi escrita para um musical sobre Nosferatu, e depois adaptada para Bonnie.

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O resultado foi um dos maiores hinos pop-rock de todos os tempos. Liderou paradas nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e vários países europeus. Vendeu mais de 6 milhões de cópias em todo o mundo. Foi nomeada ao Grammy de Melhor Performance Vocal Feminina de Pop.

Em entrevista recente à BBC, Bonnie disse: “Nunca me canso de a cantar. Adoro-a porque toda a gente mal pode esperar para a cantar e acompanhar.”

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“Holding Out for a Hero” (1984)

Um ano depois, em 1984, Bonnie voltou a colaborar com Jim Steinman em outro clássico: “Holding Out for a Hero”, gravada para a trilha sonora do filme “Footloose”. O tema se tornou outro grande hino pop-rock, com letra épica e produção grandiosa. Nas décadas seguintes, foi reutilizada em várias trilhas sonoras de filmes, incluindo “Shrek 2” (2004), o que introduziu Bonnie a novas gerações.

Outros sucessos

Ao longo de sua carreira, Bonnie Tyler gravou mais de 15 álbuns de estúdio, com sucessos como:

  • “If You Were a Woman (And I Was a Man)” (1986)
  • “Loving You’s a Dirty Job But Somebody’s Gotta Do It” (1986, dueto com Todd Rundgren)
  • “Bitterblue” (1991)
  • “Believe in Me” (2013, representando o Reino Unido no Eurovision Song Contest)
  • “Between the Earth and the Stars” (2019)

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Bonnie continuou a gravar e a se apresentar ao longo das décadas de 1990, 2000, 2010 e 2020, mesmo depois de a fase mais comercial ter passado, mantendo público fiel na Europa e realizando turnês regulares.

A voz rouca característica

Um traço marcante da carreira de Bonnie Tyler foi sua voz rouca característica, resultado de uma cirurgia nas cordas vocais que ela precisou fazer no início da carreira, após desenvolver nódulos vocais. Os médicos removeram os nódulos, mas a instruíram a não falar por semanas para preservar a voz.

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Bonnie desafiou as ordens médicas, o que fez com que sua voz assumisse a rouquidão distinta que a tornaria reconhecível em qualquer rádio do mundo. “Foi a melhor coisa que aconteceu com minha carreira”, disse ela em várias entrevistas ao longo dos anos, com humor típico.

A cantora em 1984 (Foto: Divulgação/Facebook da artista)

Vida pessoal

Bonnie Tyler foi casada com o empresário Robert Sullivan desde 1973, união que durou mais de 50 anos. Os dois não tiveram filhos. A cantora sempre falou sobre seu casamento com carinho e o descreveu como um dos pilares de sua estabilidade emocional durante décadas de carreira.

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O casal residia no Algarve, no sul de Portugal, região onde Bonnie viveu por mais de duas décadas. A cantora era uma figura conhecida e querida na comunidade local, e frequentemente elogiava o país em entrevistas.

Reação do mundo da música

A morte de Bonnie Tyler foi noticiada por veículos de todo o mundo e gerou onda de homenagens de fãs, colegas e da imprensa musical:

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  • A BBC, sua emissora nacional, dedicou tempo significativo à cobertura, com trechos musicais e depoimentos
  • CNN Portugal, Jornal de Notícias, Correio da Manhã e outros veículos portugueses destacaram sua ligação com Portugal
  • Fãs em todo o mundo relembraram nas redes sociais os grandes sucessos da cantora e o impacto de sua voz na trilha sonora dos anos 1980
  • Total Eclipse of the Heart voltou a liderar buscas no Spotify e YouTube em várias regiões

Um legado que atravessa gerações

Bonnie Tyler chegou aos 75 anos como uma das poucas vozes dos anos 1980 que manteve carreira ativa e amada em pleno século 21. Suas canções, com produção rica e emocional, atravessaram décadas e continuam sendo tocadas em festas de casamento, karaokês, trilhas sonoras de filmes e séries, e redes sociais.

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A cirurgia mal cicatrizada que lhe deu a rouquidão inconfundível, o encontro com Jim Steinman que lhe deu os grandes hinos, o casamento estável de 50 anos com Robert Sullivan, e a passagem final pelo Algarve português compõem a trajetória singular de uma cantora galesa de origem simples que encontrou seu lugar no coração da música pop-rock mundial.

Bonnie Tyler deixa uma discografia de mais de 15 álbuns, alguns dos maiores hinos pop-rock de todos os tempos, e a memória de uma voz que fez do “Turn around, bright eyes” um chamado universal para toda uma geração. Aos 75 anos, sua história terminou em um hospital português. Mas as canções que gravou nas décadas de 1970 e 1980 continuarão sendo cantadas, muito depois deste eclipse final.

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