As ondas de calor deixaram de ser um evento raro na Europa. Nos últimos anos, temperaturas acima dos 40°C passaram a fazer parte do verão em diversos países, aumentando os riscos para a saúde e pressionando moradores a encontrar formas de enfrentar o calor intenso. Ainda assim, um hábito comum em outras partes do mundo continua sendo exceção no continente: o uso de ar-condicionado dentro de casa.

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Embora o desconforto seja cada vez maior, a maioria das residências europeias ainda depende de ventiladores, persianas fechadas durante o dia, banhos frios e ventilação natural para aliviar as altas temperaturas. A explicação envolve uma combinação de fatores históricos, econômicos, arquitetônicos e ambientais.

Necessidade recente

Durante décadas, grande parte da Europa conviveu com verões relativamente amenos. As ondas de calor existiam, mas eram menos frequentes, menos intensas e duravam poucos dias. Por isso, o investimento em sistemas de refrigeração nunca se tornou prioridade para boa parte da população local.

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Enquanto nos Estados Unidos o ar-condicionado passou a fazer parte da rotina há décadas, impulsionado pelo clima mais quente, na Europa a realidade foi diferente. Atualmente, cerca de 20% das residências europeias possuem algum sistema de climatização, número muito inferior ao registrado entre os norte-americanos.

Pessoas se refrescam em uma fonte pública durante onda de calor em Paris, na França. (Foto: Wikimedia Commons)

Casas foram feitas para outro clima

Outro fator importante está na própria construção dos imóveis.

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Em países do sul europeu, muitas casas contam com paredes grossas, janelas menores e materiais capazes de reduzir a entrada do calor, além de favorecer a circulação do ar. Essas características ajudavam a manter os ambientes mais frescos sem depender de equipamentos elétricos.

Já em outras regiões, especialmente no norte da Europa, muitas construções antigas foram planejadas para enfrentar o frio e conservar calor durante o inverno, e não para dissipá-lo no verão.

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Além disso, adaptar edifícios históricos para receber aparelhos de ar-condicionado costuma ser algo bem mais caro e, em muitos casos, depende de autorizações específicas das autoridades locais por causa das regras de preservação do patrimônio.

Fachadas com janelas e persianas em rua histórica da Europa ajudam a explicar adaptações antigas contra o calor. (Foto: Wikimedia Commons)

Energia que pesa no bolso

O custo também influencia diretamente essa escolha.

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A eletricidade costuma ser mais cara em vários países europeus quando comparada à dos Estados Unidos. Como consequência, manter um aparelho ligado durante várias horas pode representar um gasto elevado para muitas famílias.

Mesmo quando há interesse em instalar o equipamento, o investimento inicial e a conta de energia acabam adiando a decisão.

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Ar-condicionado portátil em apartamento europeu mostra alternativa para imóveis sem climatização central. (Foto: Magnific)

Questão ambiental

Existe ainda um debate importante sobre os impactos ambientais.

Os aparelhos de ar-condicionado consomem grande quantidade de energia e, dependendo da fonte utilizada para gerar eletricidade, contribuem para o aumento das emissões de gases responsáveis pelo aquecimento global.

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Além disso, os equipamentos liberam calor para o ambiente externo, o que pode elevar ainda mais a temperatura das cidades durante as ondas de calor, principalmente em áreas urbanas densamente povoadas.

Por esse motivo, alguns governos europeus já adotaram medidas para incentivar o uso mais racional desses aparelhos, principalmente em prédios públicos e estabelecimentos comerciais.

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Mudança já começou

Com verões mais longos, temperaturas recordes e noites cada vez mais quentes, cresce a procura por sistemas de climatização em diversos países europeus. A expectativa é que o número de aparelhos em funcionamento no continente aumente significativamente nas próximas décadas.

Ao mesmo tempo, especialistas defendem que a expansão do ar-condicionado seja acompanhada por equipamentos mais eficientes, melhorias no isolamento térmico dos edifícios e maior uso de fontes renováveis de energia, buscando reduzir os impactos ambientais sem abrir mão do conforto diante de um clima que já não é o mesmo de décadas atrás.

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