Para encerrar a rodada de entrevistas com candidatos à Prefeitura de Florianópolis, a CBN Diário e o Jornal do Almoço sabatinaram no sábado, 24, os dois postulantes ao cargo no Executivo da Capital pelos partidos menores, Gabriela Santetti pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e Maurício Leal pelo Partido Ecológico Nacional (PEN).

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Líder comunitário do Rio Tavares, Maurício Leal, defendeu a integração das comunidades, a criação de áreas de lazer, o desenvolvimento sustentável e o transporte público gratuito para estudantes de forma integral e para trabalhadores nos horários de pico.

Já Gabriela Santetti, a mais jovem candidata, com 26 anos, formada em história e com mestrado em Educação pela UFSC, defende um governo feito para os trabalhadores, com passe livre no transporte público, mais investimentos na área social e formação de conselhos populares para criar um orçamento participativo na cidade.

Entrevista à CBN, Maurício Leal (PEN)

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O que o senhor pretende levar da tua experiência como líder comunitário do Rio Tavares para a Prefeitura de Florianópolis?

Pretendo sim levar a experiência comunitária do Rio Tavares para toda a cidade, porque as dificuldades das comunidades são as mesmas. O esporte é um setor que está bem abandonado dentro da nossa cidade. Podemos trabalhar isso com as escolas do município, ocupar as crianças no contraturno escolar. Temos pessoas dentro da cidade que podem atuar como motivadores, diminuindo as chances dessas crianças se tornarem usuários de drogas. Temos vários exemplos de atletas em Florianópolis que podem fazer um trabalho social de base e de rendimento, formar atletas. Na cultura funciona da mesma maneira.

Dentro da proposta do PEN para a Prefeitura, tem a rua de lazer. Qual a intenção?

Esse tipo de trabalho já fizemos. É integração social, rua de lazer, integrar a comunidade com gincanas. Devido a nossa falta de área de lazer, podemos ocupar as ruas no fim de semana onde não tem muito fluxo para que a comunidade possa interagir.

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Uma das suas propostas é a tarifa zero no transporte coletivo. Como pretende implantar?

Essa é a nossa principal luta, que não vai ser fácil. É uma vergonha pagarmos R$3,50 na passagem com esse transporte que temos em Florianópolis. Sou usuário e conheço bem isso. A nossa proposta é tarifa zero nos horário de pico, de manhã, no almoço e no fim da tarde. Para estudante em tempo integral. A minha proposta é que a Prefeitura administre o transporte público, para evitar lucros apenas para os empresários. Vai ter custo, mas vai ter renda, porque o município vai arrecadar mais do que gastar. Os motoristas e cobradores serão servidores públicos. Tem como fazer. É uma batalha contra os empresários. Por outro lado, temos que ter transporte público marítimo.

Quais as propostas para o Partido Ecológico Nacional neste setor?

Somos o partido da sustentabilidade. Pretendemos trazer indústrias de reciclagem para o município, com destinação correta do lixo, que hoje nem fica na nossa cidade. As indústrias de reciclagem podem empregar esse povo que vive nas ruas. Também propomos fazer cortes nos setores da Prefeitura, diminuir os alugueis pagos pelo município, implementar a sede própria do governo, com geração de energia própria e captação de água. Depois expandir para as creches e escolas.

Qual recado o senhor deixa para a população de Florianópolis?

Sou humilde, não nasci em berço de ouro, sou trabalhador. Nestas eleições você tem a oportunidade de votar e quem vive e conhece a cidade. Em mim, vocês podem confiar.

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Entrevista ao Jornal do Almoço, Gabriela Santetti (PSTU)

Se eleita, qual a principal proposta que pretende implantar?

É a formação de conselhos populares. Nós acreditamos que no cenário que vive o Brasil hoje, muitas pessoas estão descrentes da política, já não querem mais votar e não enxergam mais saídas. O PSTU de certa forma concorda com isso. A política tem governado contra a população, para o empresariado, com um sistema que favorece a corrupção. A nossa Câmara de Vereadores hoje tem mais da metade indiciada por corrupção e nós achamos que isso precisa mudar com a organização popular, por meio dos conselhos populares eleitos nos bairros, nas escolas e com orçamento participativo.

Além disso, o que a cidade está precisando no momento?

Precisa de tudo, especialmente saúde e transporte. Nós defendemos o passe livre e a estatização do transporte. Precisamos investir em educação, resolver o problemas das filas nas creches, mas isso só será possível mudando o orçamento da cidade. Qual é a lógica? A nossa Prefeitura deixa de gastar em área social cerca de R$790 milhões por ano em isenção fiscal que ela dá para empresas e no pagamento de uma dívida que cada vez aumenta mais. Se a Prefeitura deixasse de investir para privilégios das empresas que estão devendo hoje ao município e não pagam, e investisse em áreas sociais, poderia duplicar esse investimento social.

No plano de governo, a candidata diz claramente que quem afirma que está governando para todos está mentindo. Que é preciso ter um lado. Qual é o seu lado?

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Não é possível governar para todos. Nós estamos do lado dos trabalhadores. Hoje nós temos uma Prefeitura que privilegia um resort na Ponta do Coral a um parque público. Nós defendemos que os trabalhadores tenham acesso a cidade mais que o turismo.

É possível estar no comando do município, da Prefeitura, e beneficiar sempre os trabalhadores?

Nós queremos governar para os trabalhadores. Nossos adversários governam para as empresas e contra os trabalhadores. Nós queremos governar para a cidade, para os menos favorecidos, negros, mulheres, LGBTS, pobres, desempregados. Nossa cidade tem 7.000 desempregados e é preciso que as empresas que demitem não tenham pelo menos a isenção fiscal da Prefeitura.

Qual o recado que a senhora deixa para a população de Florianópolis?

Para mudar de fato, nosso partido defende mudar tudo. Defendemos eleições diretas já para colocarmos todos para fora e lutarmos contra o ajuste fiscal. Isso pprque as eleições no município, neste momento, não dão conta de resolver todos os problemas do Brasil.

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