Casos de coronavírus desaceleram em parte da Europa; Itália registra queda no número diário de mortos

Italianos tiveram neste domingo o menor no número de mortes em duas semanas, 525, e pela primeira vez, caiu o número de hospitalizados, de 29.010 para 28.949.

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Itália, que completa um mês de quarentena na próxima quinta-feira (9), também caiu o número diário de internações em hospitais em UTI (Foto: AFP)

O coronavírus ainda faz novos doentes e provoca mortes todos os dias na Europa, mas esses números diários estão decrescendo em alguns países. Enquanto parte dos governos estendeu as quarentenas, a redução no contágio faz crescer a discussão sobre como retomar a atividade, paralisada há quase um mês na Itália e há três semanas na maioria dos outros países.

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Na Áustria, o governo afirmou que os números diários de novos casos e de internados em UTIs caíram significativamente nos últimos dias, e houve mais recuperados que diagnosticados: entre sábado e domingo, o país registrou 240 novos contágios, e 491 pessoas receberam alta. Apesar de os números darem indícios de melhora, o ministro da Saúde austríaco, Rudolf Anschober, pediu que as pessoas mantenham as medidas de isolamento:

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– Nada de viagens de feriado e celebrações de Páscoa.

O chanceler (equivalente a primeiro-ministro) da Áustria, Sebastian Kurz, deve apresentar nesta segunda um primeiro projeto de retomada das atividades, indicando quando, em que ordem e em que condições as restrições serão retiradas.

– Se todos mantivermos a disciplina durante a Páscoa, estou confiante de que poderemos começar a voltar gradualmente e cautelosamente à normalidade – disse Kurz ao jornal Kleine Zeitung.

O país tem 11.934 casos e 204 mortes. Espanha, Bélgica, França e Finlândia criaram comissões para estudar opções para a volta às aulas e o relaxamento de restrições.

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Desaceleração na Espanha

A Espanha também divulgou o menor crescimento de mortes diárias em nove dias: 674 em 24 horas, elevando o total para 12.418. O número de novas infecções subiu 5%, também a menor taxa de crescimento desde o começo da crise.

A Espanha tem neste domingo 130.759 infectados, o segundo maior no mundo, atrás dos EUA. O país entrou em quarentena em 15 de março, 11 dias depois da primeira morte. Apesar da queda nos novos registros, ainda há hospitais com capacidade de atendimento esgotada, e o governo espanhol renovou as medidas de isolamento até 25 de abril.

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Sem caos na Bélgica

Na Bélgica, o número diário de internações em UTIs teve neste domingo sua maior redução: houve 16 novos pacientes internados, o menor número desde 20 de março, quando começaram os registros oficiais.

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Em quarentena desde o dia 17 de março, seis dias depois da primeira morte, a Bélgica não enfrentou colapso nos hospitais nesta pandemia. A ocupação dos leitos para cuidados intensivos se manteve em cerca de 50% na última semana, com 1.261 casos graves de Covid-19.

Menos pressão na Itália

Na Itália, que completa um mês de quarentena na próxima quinta (9), também caiu o número diário de internações em hospitais em UTI. De 1.276 novas entradas diárias em hospitais e 120 novos casos em UTI em 23 de março, passou a 201 internações diárias e 15 casos em UTI na sexta (3).

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Entre sexta e sábado, o número total de internados em UTIs caiu 74, e entre sábado e domingo, houve nova redução, de 17. Foi neste domingo o menor incremento no número de mortes em duas semanas, 525, e pela primeira vez, caiu o número de hospitalizados, de 29.010 para 28.949.

Bazuca de testes na Alemanha

A desaceleração acontece também em países que têm intensificado o número de testes (o que aumenta o número de confirmações), como a Alemanha, que registrou números menores de novos casos em três dias seguidos. Do sábado para domingo, foram 5.936 casos confirmados, elevando o total para 91.714, quarto maior número no mundo.

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Na véspera, o número de casos havia subido 6.082, e, de quinta para sexta, 6.174. O número de mortes nas últimas 24 horas subiu para 184, depois de vários dias estacionado em 140. São 1.474 mortos até agora, nono maior número global.

Neste final de semana, a Alemanha atingiu a capacidade de testar 100 mil pessoas por dia, segundo o instituto de controle de doenças Robert-Koch Institute, um crescimento de 14 vezes em relação ao começo de março. No total, já foram feitos 1,5 milhão de exames para detectar infectados.

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Os alemães preparam agora um novo programa intensivo de testes, este para descobrir quem desenvolveu anticorpos contra o coronavírus -o que acontece quando o corpo entra em contato com o patógeno e reage à infecção, derrotando-a. O Centro Helmhotz de Pesquisa de Infecções (HZI) vai coordenar um estudo com 100 mil participantes, para detectar a presença dos anticorpos. Em tese, um resultado positivo poderia significar imunidade.

– Indivíduos imunes poderiam ter um certificado semelhante ao de vacinação, que os isentasse de restrições em algumas atividades – afirmou o coordenador do estudo, Gérard Krause.

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"Passaporte de imunidade" no Reino Unido

É essa uma das estratégias também do Reino Unido, que vem estudando a ideia de um "passaporte de imunidade", segundo o secretário da Saúde, Matthew Hancock. O país negocia 17,5 milhões testes de anticorpos e tem planos para submeter um quarto da população a eles em meados deste mês.

Responsável-adjunta pela área médica do governo britânico, Jennie Harries disse também neste domingo que regiões do país em que haja mais imunidade podem voltar à atividade antes. O retorno será feito "com muita cautela", no entanto, para evitar uma segunda onda de infecções.

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A ideia é arriscada, segundo cientistas, porque ainda não se sabe com certeza se quem se curou da doença desenvolveu imunidade duradoura.

– Certificados de imunidade podem dar uma falsa segurança, que leve as pessoas a reduzirem cuidados indispensáveis – escreveu a professora de imunologia da Universidade de Edimburgo, Eleanor Riley, no jornal britânico Guardian.

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Se depender desses "passaportes", a volta ao normal dos britânicos vai atrasar: nenhum dos nove diferentes tipos de kits de teste recebeu aprovação até este final de semana. Além disso, o Reino Unido entrou em quarentena apenas duas semanas depois de registrada a primeira morte: em 21 de março foram fechados bares e restaurantes, no dia 23, suspensas as aulas e apenas no dia 24 houve ordem para que saídas de casa fossem evitadas.

Embora tenha divulgado um número positivo neste final de semana -o pico esperado para internações em UTI caiu de 30 mil leitos com equipamento de respiração para 18 mil-, há relatos de superlotação e falta de equipamentos em hospitais britânicos, e o número de casos está em aceleração. Chegou a 47.806 neste domingo, com 4.934 mortos.

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O pouco tempo de quarentena e a crise nos hospitais não impede, porém, uma pressão crescente por um "mapa da retomada" no Reino Unido. Recém-escolhido líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer pediu um plano público em entrevista à rede de TV BBC:

– O governo precisa publicar a estratégia de saída do lockdown. O público quer saber quando isso vai terminar.

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A oposição se soma a vozes dentro do próprio governo, como Rishi Sunak, o equivalente ao ministro das Finanças no Reino Unido. Segundo o Sunday Times, Sunak tem pedido que a pasta da Saúde comece a discutir um cronograma para a retomada da atividade econômica, algo que ainda não é possível do ponto de vista técnico, segundo um dos principais conselheiros do governo, o epidemiologista Neil Ferguson, do Imperial College.

Os pioneiros Eslováquia e Dinamarca

A volta ao normal não será simples, como mostra preocupação recente do governo da Eslováquia, primeiro país europeu a reabrir parte das lojas, em 28 de março, quando não registrava nenhuma morte por Covid-19. A Eslováquia adotou confinamento total no dia 12 de março, quando apenas dez pessoas haviam contraído o coronavírus. Foram proibidas viagens, e as fronteiras ficaram abertas apenas para residentes no país.

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Todos os eventos culturais, esportivos e religiosos foram suspensos, assim como partidas esportivas. O governo eslovaco também proibiu visitas a hospitais e casas de idosos e suspendeu aulas em todas as escolas. Na última quinta (2), após o registro do primeiro caso fatal no país, o premiê Igor Matovic voltou a cogitar um fechamento mais rigoroso, mas o recuo não tem apoio da oposição.

Na Dinamarca, outro país que mencionou publicamente como retomar as atividades, a primeira-ministra Mette Frederiksen alertou que, quando ela acontecer, será "gradual, suave e controlada".

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O país escandinavo foi um dos primeiros a reagir depois que a Itália decretou quarentena, em 9 de março. Dois dias depois, o governo dinamarquês proibiu viagens entre seu país e a Itália, e no dia 14 fechou as fronteiras para todos os não residentes.

Também fechou bares, restaurantes, lojas e suspendeu as aulas em todas as escolas. Em entrevista em 30 de março, quando havia 2.577 casos confirmados e 77 mortes no país nórdico, Mette disse que reavaliaria as medidas de restrição depois da Páscoa. Neste domingo, o país registra 4.369 casos e 179 mortes.​