Jogar uma moedinha na água e fazer um pedido é uma tradição que atravessa gerações em pontos turísticos do mundo inteiro. Nas Cataratas do Iguaçu, no Paraná, o gesto parece inofensivo, afinal, o que uma moeda pode fazer diante da força descomunal do Rio Iguaçu? A resposta surpreendeu até as equipes ambientais do parque: uma operação recente de limpeza retirou 383 quilos de moedas acumuladas no leito do rio, o equivalente ao peso de uma moto pequena.

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Além disso, foram recolhidos óculos, garrafas, bonés e outros objetos deixados por turistas ao longo dos anos, transformando o que é um gesto simbólico individual em um problema ambiental coletivo.

A operação foi conduzida por equipes especializadas que desceram até áreas próximas às quedas para recolher o material acumulado.

Os números chamaram atenção não pelo valor das moedas em si, muitas estão deterioradas pela ação da água, mas pelo volume físico que o hábito de décadas produziu. E limpezas anteriores já mostravam tendência parecida, o que indica que o comportamento se repete ano após ano.

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Por que a prática é proibida no parque

Jogar moedas ou qualquer outro objeto nas águas do Parque Nacional do Iguaçu é expressamente proibido pelas regras do parque. A restrição não existe só por questão estética ou de preservação do visual; ela tem fundamento ambiental direto. Entre os impactos identificados pelas equipes ambientais estão:

  • Contaminação da água pelos metais que compõem as moedas, como cobre, zinco e níquel
  • Alteração química do habitat de peixes e outras espécies que vivem no leito do rio
  • Risco de ingestão acidental por animais aquáticos atraídos pelo brilho do metal
  • Acúmulo progressivo que gera custo crescente em operações de limpeza
  • Incentivo a outras práticas prejudiciais, como jogar lixo achando que “some” na correnteza

Mesmo em pequena quantidade, os metais presentes em moedas podem liberar íons na água ao longo do tempo, afetando a qualidade do ecossistema aquático em um dos parques nacionais mais visitados do Brasil.

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O que acontece com as moedas recolhidas

Parte das moedas retiradas durante a operação ainda está em condição de uso. Nesses casos, o material pode ser direcionado para projetos de preservação ambiental, transformando o que era poluição em recurso. Moedas muito deterioradas são encaminhadas para reciclagem dos metais, dentro dos protocolos ambientais do parque.

Essa destinação é importante porque evita um segundo problema: simplesmente descartar o material recolhido geraria novo impacto. A lógica do parque é que a solução precisa fechar o ciclo, não só remover o problema de lugar.

Como os turistas podem “fazer o pedido” sem prejudicar o parque

Para quem quer manter o simbolismo do gesto sem causar impacto ambiental, o próprio parque e organizações de conservação oferecem alternativas:

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  • Fazer uma doação simbólica aos projetos de preservação do Parque Nacional do Iguaçu
  • Participar de ações voluntárias de limpeza e educação ambiental promovidas na região
  • Registrar o pedido em imagem ou em um diário de viagem, sem envolver descarte no ambiente
  • Adotar práticas de turismo responsável em qualquer destino natural, mantendo tudo que trouxe de volta na mochila

A mudança de hábito, nesses casos, não tira o valor afetivo da experiência, apenas transfere o gesto para uma forma que não gera passivo ambiental.

O que fica como orientação

As Cataratas do Iguaçu recebem cerca de 1,5 milhão de visitantes por ano, e é exatamente esse volume que transforma pequenos gestos individuais em problemas coletivos de larga escala. Uma moeda não significa nada.

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Um milhão e meio de moedas ao longo de uma década significam 383 quilos retirados em uma única operação, e essa conta se repetirá nas próximas, enquanto o hábito continuar. A melhor forma de “dar sorte” em um patrimônio natural dessa dimensão continua sendo a mais antiga: observar, respeitar e deixar o lugar exatamente como foi encontrado.