O mistério de mais de 50 anos de uma estrela muito famosa no céu, a Gamma Cassiopeiae (ou y-Cas), foi resolvido graças ao telescópio XRISM. A descoberta termina com um debate entre astrônomos que durava há decadas e confirma que o brilho esquisito desta estrela era uma outra companheira invisível, que consome material da estrela maior visível a olho nu.
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O mistério da estrela Gamma Cassiopeiae
A Gamma Cassiopeiae é uma estrela que pode ser vista a olho nu em uma noite de céu limpo na Europa. Ela é o ponto central da letra W que a Constelação de Cassiopeia forma.
Desde o século XIX já se sabe que essa estrela é diferente, por brilhar de uma forma esquisita. Ela gira tão depressa que atira parte do seu material no espaço. Isso forma um disco de gás à sua volta.
O mistério maior surgiu nos anos 70, quando se descobriu que a Gamma Cassiopeiae também emitia raios-X de alta energia muito potentes. Um comportamento incomum para uma estrela deste tipo.
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Qual era a suspeita dos astrônomos?
As duas principais teorias tentavam explicar o brilho dos raio-x. Uma dizia que o magnetismo da própria estrela causava explosões no seu disco de gás.
A outra teoria era de que havia uma “companheira” invisível, uma espécie de estrela pequena e densa, que “roubava” o gás da estrela principal.
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O que o telescópio XRISM descobriu
Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), observações únicas de alta resolução do telescópio XRISM conseguiram finalmente ver o que acontece nesse fenômeno com um precisão que permite acabar com o mistério. O que os cientistas descobriram:
- A Gamma Cassiopeiae tem uma companheira, uma anã branca que é o que sobra de uma estrela como o Sol depois de morrer.
- A anã branca ao lado dessa estrela é do tamanho da Terra, mas muito pesada e com gravidade forte.
- Ela consome o material do disco da estrela gigante (y-Cas) e esse material chega a 150 milhões de graus, gerando os raios-x misteriosos.
Por que esta descoberta é importante?
Além de resolver um debate importante de décadas, esta descoberta confirma que o sistema atua com uma espécie de “vampiro espacial”. O resultado foi publicado em um artigo na Astronomy & Astrophysics.
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Saber o que acontece com a Gamma-Cas ajuda a entender o modelo de outras estrelas parecidas e como sistemas de duas estrelas evoluem ao longo de milhões de anos.



