Com tarifas em alta e receio de estiagem, uma cidade do interior da Paraíba chama atenção por um detalhe incomum: em Itapororoca, a água encanada não chega acompanhada de cobrança.

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O abastecimento sem tarifa existe desde 1961 e se apoia em uma nascente natural que mantém a cidade funcionando, com água contínua para moradores, serviços e pequenos comércios.

Não é exagero: o que em outros lugares soa como história antiga, ali virou rotina. A água corre como parte do lugar e virou marca local de um serviço estável há décadas.

Uma nascente no centro da vida urbana

Desde os primeiros anos do município, Itapororoca se organiza em torno de uma nascente considerada única na região. Ela abastece casas, espaços públicos e estabelecimentos do dia a dia.

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O sistema segue um caminho simples: sem um esquema pesado de bombeamento, a água desce naturalmente, e a gravidade ajuda a manter o fluxo até a área urbana.

Por isso, a nascente é mais do que um ponto geográfico. Ela virou referência para moradores e patrimônio natural, por sustentar o abastecimento de forma direta e constante.

Parque da Nascenca mistura água e lazer

O Parque da Nascença é o coração desse modelo. A área de preservação ambiental também funciona como cartão-postal, com piscinas naturais e um pequeno balneário ao redor da nascente.

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Assim, a estrutura que garante água para a cidade se conecta ao lazer. O parque recebe visitantes e reforça a identidade local com um turismo de natureza acessível e familiar.

Ao mesmo tempo, a preservação do entorno protege a própria fonte do abastecimento. Cuidar da área é parte do que mantém o serviço funcionando do jeito que a cidade conhece.

Trilha, árvores antigas e rochas que filtram

O ecoturismo também ganhou espaço. A Ecotrilha da Nascença conduz o público por um percurso com árvores antigas e trechos que ajudam a entender a história de Itapororoca.

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Pelo caminho, formações rochosas são apontadas como parte do reservatório natural da região. Elas contribuem para armazenar e filtrar a água antes de seguir para a rede urbana.

O resultado aparece no cotidiano: a mesma água que compõe o passeio é a água que chega às torneiras, sem interrupções em períodos considerados normais.

Mais moradores, mais demanda, e um alerta no horizonte

Com o crescimento da cidade, o modelo passou a ser testado. Mais casas foram conectadas à rede e a demanda aumentou, elevando a pressão sobre o abastecimento gratuito.

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Antes, o sistema atendia cerca de mil famílias. Hoje, precisa chegar a mais de 5 mil residências apenas na zona urbana, e se mantém porque a nascente continua sustentando o volume.

A concessão do serviço à Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) já foi aprovada. Ainda assim, não há data confirmada para a mudança no formato atual.

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