A baleia-azul, com seus 30 metros de comprimento, sempre foi admirada por seu tamanho mas são as fezes da baleia que parecem revelar sua maior contribuição para o planeta, segundo pesquisadores da Universidade de Washington.

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Um estudo liderado por oceanógrafos e publicado na revista Communications Earth & Environment, aponta que as fezes das baleias funcionam como um fertilizante para os oceanos, transportando ferro e nutrientes fundamentais para a base da cadeia alimentar.

Durante décadas, a biologia acreditou que uma vez que as baleias comem o krill, pequenos crustáceos semelhantes a camarões, a ausência de baleias faria o krill proliferar. A realidade, contudo, mostrou o oposto. Com a caça predatória que quase extinguiu as baleias-de-barbatana no século passado, as populações de krill também despencaram. Segundo os pesquisadores, isso pode estar ligado a reciclagem de nutrientes.

O ciclo do ferro e o clima

O estudo analisou amostras fecais de baleias-jubarte no Oceano Antártico e de baleias-azuis na costa da Califórnia. Os resultados mostraram que as fezes continham altas concentrações de ferro, elemento escasso em alto-mar e importante para o crescimento do fitoplâncton.

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O fitoplâncton, por sua vez, é considerado pela ciência o pulmão do mundo e o motor do ciclo de carbono. Ao fertilizar essas “plantas” marinhas com ferro, as baleias indiretamente ajudam o oceano a absorver dióxido de carbono da atmosfera, ajudando então na regulação do clima global.

Nossa análise sugere que a dizimação das populações de baleias-de-barbatana devido à caça histórica pode ter tido implicações biogeoquímicas mais amplas para o Oceano Antártico, uma área crucial para o ciclo global do carbono”, explica Patrick Monreal, doutorando em oceanografia e primeiro autor do estudo.

O papel das bactérias

Um dos pontos que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a presença de cobre. Inicialmente, havia um receio de que os níveis detectados fossem tóxicos. Entretanto, a análise revelou que o metal estava ligado a moléculas orgânicas chamadas ligantes, que tornam o cobre seguro e o ferro mais acessível para os organismos vivos.

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A suspeita dos cientistas é que essa transformação química ocorra dentro do próprio trato digestivo das baleias, graças a bactérias específicas de seu microbioma intestinal.

“Acredito que os animais desempenham um papel maior nos ciclos químicos do que muitos especialistas lhes atribuem, especialmente quando se pensa na escala do ecossistema”, afirma Monreal.

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