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    Pandemia no Planalto

    Com Covid-19, Bolsonaro passeia de moto e conversa sem máscara com garis no Alvorada

    Presidente ignora proteção e isolamento e volta a criticar "essa política que empobrece todo mundo"

    24/07/2020 - 04h04 - Atualizada em: 24/07/2020 - 05h56

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    Folhapress
    Por Folhapress
    Presidente Jair Bolsonaro
    Presidente Jair Bolsonaro
    (Foto: )

    Infectado pelo coronavírus e cumprindo isolamento no Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) passeou de moto dentro da propriedade nesta quinta-feira (23) e, sem máscara, conversou com profissionais que fazem a limpeza na área externa da residência oficial. O passeio do presidente, que está no Alvorada desde 6 de julho e já fez três exames para a Covid-19, foi registrado pelo repórter-fotográfico Adriano Machado, da agência Reuters. Não é possível, com base nas fotos, saber a distância de Bolsonaro para os garis.

    Nas imagens, Bolsonaro está sem máscara e faz uma parada para conversar com um grupo de funcionários da limpeza. Em determinado momento, ele tira o capacete para falar com os garis. O uso de máscaras é indicado por especialistas como importante para evitar a contaminação pelo vírus. A Secretaria-Geral da Presidência, responsável pela zeladoria do palácio, disse que lhe não cabe se manifestar sobre se Bolsonaro descumpriu ou não algum protocolo sanitário no passeio.

    O órgão destacou que os trabalhadores que aparecem nas fotografias prestam serviço de jardinagem, terceirizados da empresa WM Paisagismo. Os três testes feitos por Bolsonaro para detectar o coronavírus deram positivo. O último deles foi divulgado na quarta-feira (22). O presidente só deve deixar o Palácio da Alvorada quando análises clínicas não identificarem mais a presença do vírus.

    A Secretaria-Geral da Presidência também afirmou, em nota, que todas as empresas terceirizadas foram orientadas a observar indicações e diretrizes "quanto aos cuidados preventivos aos riscos de contágio com Covid-19".

    "Na hipótese de ter havido contato próximo (menos de um metro de distância), por período prolongado, com uma pessoa com Covid-19, a decisão [sobre cumprimento de isolamento pelos funcionários] caberá à empresa", afirmou a Secretaria-Geral.

    Embora diga que está em isolamento e que só tem contato físico com auxiliares que já se curaram da Covid-19, o presidente passou nos últimos dias a acompanhar a arriamento da bandeira nacional em frente ao jardim do Palácio da Alvorada. Nessas ocasiões, ele interage com apoiadores que costumam esperá-lo em frente ao Alvorada, causando aglomerações no local.

    No final da tarde desta quinta, Bolsonaro interagiu novamente com seus simpatizantes. Ele disse que já poderia voltar a trabalhar normalmente após o 14º dia de isolamento, mesmo com um resultado positivo para a Covid, mas que preferiu permanecer no Alvorada porque seria criticado caso retomasse sua rotina antes de um exame negativo.

    "A vantagem é que eu tô livre [do coronavírus] já" , disse.

    Ele voltou a argumentar que não há como evitar o contágio pela Covid, a não ser em casos de isolamento extremo, e que "quem está vivendo em sociedade mais cedo ou mais tarde vai pegar [o vírus]".

    "Não tem como evitar morte no tocante a isso. No Brasil ninguém morreu, que eu tenha conhecimento, por falta de atendimento médico. Todos os recursos o governo repassou para estados e municípios", declarou.

    "Alguns estão falando que isso vai durar até 2022. Imagine, vai empobrecer todo mundo. Se continuar com essa política que está aí [de isolamento e paralisação da atividade econômica], empobrece todo mundo", concluiu.

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