Ver passarinhos pousando na janela ou cantando no quintal é uma cena simples, mas que encanta.

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O biólogo e ornitólogo Willian Menq, em vídeo no YouTube, diz que oferecer alimento às aves é uma forma prática de atrair diferentes espécies e criar um ponto de contato com a natureza, mesmo em varandas pequenas.

“Oferecer alimento para os passarinhos é uma forma simples e fácil de atrair várias espécies para o seu quintal. E nem precisa de muito espaço para isso”, explica o especialista.

Menq, que há anos estuda o comportamento das aves em ambientes urbanos e rurais, diz que os comedouros ajudam a aproximar as pessoas da fauna local e a despertar um olhar mais atento para o meio ambiente.

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Segundo ele, observar os pássaros de perto faz com que as pessoas passem a respeitar mais a natureza. Além disso, até quem tem dificuldade de locomoção pode aproveitar o hábito, e as crianças costumam se encantar com a chegada das aves coloridas.

As frutas que mais atraem os passarinhos

Entre as muitas opções disponíveis, duas frutas se destacam pela eficiência em atrair aves: banana e mamão.

De acordo com o biólogo, elas são perfeitas para quem está começando, já que são nutritivas, baratas e muito apreciadas pelas espécies frugívoras, aquelas que se alimentam de frutas. A polpa doce e macia atrai sabiás, saíras, sanhaços e até periquitos.

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Em regiões próximas a matas e parques, a variedade aumenta. Na Serra do Mar, por exemplo, é possível receber visitas de tiê-sangue, saíra-sete-cores, sanhaço-de-encontro-amarelo, sabiá-laranjeira e até tietinga.

Já no sertão nordestino, o comedouro pode atrair corrupião, casaca-de-couro e outras aves típicas da caatinga.

Outras frutas também funcionam bem. Abacate e laranja são boas alternativas, principalmente em regiões mais frias, quando há escassez de alimentos naturais.

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É nessa época, entre junho e agosto, que os comedouros costumam ficar mais movimentados, já que os passarinhos têm menos opções de alimento na natureza.

Mas um bom comedouro não precisa ter apenas frutas. Sementes de girassol, quirela e painço também ajudam a atrair canários, trinca-ferros, tico-ticos e até papagaios. Em áreas urbanas, porém, Henke recomenda evitar o uso de grãos, pois eles costumam atrair pombos e pardais, espécies exóticas que competem com as aves nativas.

O melhor local para o comedouro

Para montar um bom comedouro, o ideal é escolher um lugar tranquilo e seguro, longe do alcance de gatos e cães, e próximo de árvores ou arbustos. Assim, as aves podem se abrigar enquanto esperam a vez de se alimentar.

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O formato pode variar de acordo com a criatividade: tábuas, troncos, galhos secos ou pequenas estruturas de madeira funcionam muito bem.

Com o tempo, os passarinhos aprendem o caminho e passam a visitar o local com frequência. Pode demorar alguns dias até descobrirem a novidade, mas, depois que encontram o comedouro, logo se tornam visitantes fiéis.

A higiene é outro ponto importante. O biólogo recomenda lavar o comedouro com frequência, preferencialmente com uma solução de água sanitária diluída, para evitar o acúmulo de resíduos e a transmissão de doenças entre as aves.

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Alimentação natural e contato com a vida selvagem

Mesmo com a oferta regular de frutas, os comedouros não “viciam” as aves, já que elas continuam buscando alimento na natureza, completando a dieta com flores, insetos e frutos nativos.

Além disso, oferecer uma tigela de água limpa é essencial: ela serve tanto para matar a sede quanto para os banhos refrescantes que os passarinhos adoram.

Para quem tem espaço, plantar árvores frutíferas nativas é um passo além. Espécies como pitangueiras, goiabeiras, jabuticabeiras, cambuís, jerivás, embaúbas e a fruta-do-sabiá garantem alimento e movimento no jardim o ano todo.

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O segredo, segundo Henke, está em observar e deixar que a natureza siga seu curso. Os comedouros, quando bem cuidados, são uma forma simples e poderosa de trazer mais vida para perto e de lembrar que o contato com os animais pode transformar a rotina em algo muito mais leve e natural.