Oscar Schmidt, lenda do basquete que morreu na última sexta-feira (19), foi alvo de homenagens durante todo o fim de semana nas competições esportivas pelo país. Os gestos buscaram simbolizar a contribuição do camisa 14 para o esporte nacional. O legado do eterno “Mão Santa”, no entanto, permanecerá presente também para catarinenses que cruzaram com o craque durante a carreira no basquete.

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Este é o caso do ex-jogador de basquete Ricardo Probst, o Ricardinho. Nascido em Blumenau, Ricardo tinha Oscar como ídolo desde os tempos de categorias de base na cidade do Vale do Itajaí. Na adolescência, mudou-se para São Paulo para tentar construir uma carreira no profissional.

Em 1995, ele era juvenil e estava disputando pela primeira a vez a liga nacional, pelo Rio Claro, time do interior paulista que foi campeão paulista e sul-americano naquele ano. Naquela temporada, Probst recebeu uma missão daquelas: marcar Oscar Schmidt.

Veja fotos de Oscar Schmidt

O “Mão Santa” defendia a equipe do Corinthians e havia recém-voltado a atuar no Brasil, o que deu uma repercussão grande para a partida. O camisa 14 era o maior nome da modalidade e vinha de altas médias de pontuação.

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— Foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira no basquete. Conseguimos fazer um grande jogo coletivo, em casa, e eu consegui cumprir bem esse papel defensivo, limitando bastante a pontuação dele, além de contribuir também no ataque — lembra Ricardo Probst.

O jogo foi a primeira vez que o catarinense viu Oscar de perto, o que exigiu controle para ele conseguir marcar e barrar o ídolo. A atuação ajudou o à época jovem atleta de SC, auxiliando até mesmo nos caminhos que o levaram à seleção principal no ano seguinte, 1996 — mesmo ano em que Oscar se aposentou da seleção.

— Vencemos o jogo e terminamos o primeiro turno na liderança. Aquilo teve uma repercussão muito grande e foi um divisor de águas na minha carreira, porque me deu visibilidade nacional e abriu portas importantes, inclusive para convocações futuras — relembra Probst.

Carta para imigração nos Estados Unidos

Depois daquele confronto, Probst e Oscar se enfrentaram em quadra em várias ocasiões — a carreira de Oscar teve partidas até mesmo em SC. No entanto, o primeiro encontro como adversários ficou marcado e iniciou uma relação que sempre foi de respeito.

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— Anos depois, já morando em Miami com minha família, durante o meu processo de imigração, ele fez uma carta de recomendação para mim como membro do Hall da Fama, falando da minha carreira e inclusive citando esse jogo. Isso foi muito significativo, porque mostrou que aquele momento não marcou só a mim, mas também ficou registrado para ele — recorda o catarinense.

O atleta catarinense, que hoje mora nos Estados Unidos, lamentou a morte de Oscar Schmidt ainda na sexta-feira e disse que isso representa uma grande perda para o basquete brasileiro.

— O país perde um ídolo e uma referência, mas fica a admiração e a gratidão por tudo que ele representou.