Criado pelo Banco Central, o Pix se tornou uma das maiores inovações do sistema financeiro brasileiro nas últimas décadas. Desde o lançamento, em novembro de 2020, a ferramenta mudou a forma como pessoas e empresas movimentam dinheiro, permitindo transferências instantâneas a qualquer hora do dia, inclusive aos fins de semana e feriados.

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FOTOS: Como chegamos ao principal meio de pagamento no Brasil

O sucesso da plataforma, no entanto, foi resultado de um projeto desenvolvido ao longo de vários anos. Antes do Pix, operações como TED e DOC dependiam do horário de funcionamento dos bancos, podiam levar horas para serem concluídas e, em muitos casos, envolviam cobrança de tarifas.

Como o Pix foi desenhado

Os primeiros estudos para a criação de um sistema nacional de pagamentos instantâneos ganharam força em 2014, durante o governo da Dilma Rousseff, quando o Banco Central iniciou avaliações sobre formas de modernizar a infraestrutura financeira do país e ampliar a inclusão digital nos serviços bancários.

O projeto avançou oficialmente em 2018, com a criação de um grupo de trabalho, através da Portaria 97.909 do Banco Central, responsável por desenvolver a estrutura tecnológica e regulatória da nova plataforma, já no governo de Michel Temer.

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Nos anos seguintes, o órgão definiu as regras de funcionamento, os padrões de segurança e os mecanismos necessários para permitir transferências em poucos segundos entre diferentes instituições financeiras.

Inspiração global: os modelos estrangeiros que serviram de base

Durante o desenvolvimento do sistema, o Banco Central analisou modelos já utilizados em outros países. Entre as referências estudadas estavam o Faster Payments, do Reino Unido, lançado em 2008, e o Unified Payments Interface (UPI), da Índia, criado em 2016.

Experiências de mercados como Singapura, Austrália e países da União Europeia também contribuíram para o desenho da plataforma brasileira. O objetivo era criar um ambiente capaz de processar milhões de transações simultâneas com rapidez e segurança.

Popularização rápida mudou hábitos de consumo

O lançamento oficial aconteceu em 16 de novembro de 2020, durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central. Em poucos meses, o sistema se espalhou pelo país impulsionado pela facilidade de uso e pela gratuidade das transferências para pessoas físicas.

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A ferramenta passou a ser adotada por pequenos comerciantes, prestadores de serviços, grandes empresas e órgãos públicos, reduzindo o uso de dinheiro em espécie e ampliando a digitalização das operações financeiras no varejo.

As discussões políticas e o reconhecimento global do sistema

O crescimento acelerado do Pix também passou a fazer parte do debate político brasileiro. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, frequentemente atribuem a criação da ferramenta ao governo federal da época.

Técnicos e especialistas, por outro lado, destacam que o sistema foi concebido e desenvolvido pelo Banco Central ao longo de diferentes etapas institucionais, caracterizando uma política de Estado.

Mais recentemente, o Pix entrou no radar das discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em relatório divulgado nesta semana, após uma investigação comercial concluída neste ano, o governo americano afirmou:

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— O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix.

A menção ao Pix no documento reforça a relevância que a plataforma alcançou desde sua criação. Em menos de seis anos de operação, o sistema se consolidou como o principal meio de transferência de dinheiro do país e passou a ser observado não apenas pelo mercado financeiro, mas também por governos e autoridades econômicas de outros países.

*Com edição de Luiz Daudt Junior.