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Como a ressaca acontece? Infográfico mostra sintomas e como o exagero age no corpo

Saiba mais sobre ressaca, o que causa e como prevenir melhor este desconforto

18/12/2020 - 10h17 - Atualizada em: 18/12/2020 - 13h05

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Redação
Por Redação DC
Pessoa com sintomas de ressaca
Pessoa com sintomas de ressaca
(Foto: )

Para muitas pessoas, uma noite de bebedeira pode levar a um acordar de manhã desagradável e até doloroso, devido aos efeitos de uma ressaca. Mas, o que a ciência nos diz a respeito desse efeito? O que causa os sintomas típicos de uma ressaca? E a pergunta, talvez a mais antiga de todas: existem remédios reais ou formas de tratar a ressaca? Veremos a seguir!

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O que é uma ressaca?

Todo mundo tem direito a se divertir, especialmente ao comemorar algo e estar entre amigos e em ambientes agradáveis. No entanto, isso nem sempre acontece da forma ideal, não é verdade?

Essas sensações desagradáveis ​​que provocam vertigem, suor frio e produzem vômito, depois de uma noite de agito, fazem parte da tentativa do seu corpo de se proteger a agressões causadas por uso de bebidas alcoólicas. Seu fígado está trabalhando para quebrar as moléculas de álcool que foram consumidas, para que seus rins possam eliminá-las o mais rápido possível.

Mas, nesse processo, as reações inflamatórias e metabólicas do seu corpo vão deixá-lo com o que chamamos de ressaca.

Desde que o ser humano faz uso pré-histórico do álcool, as pessoas sofrem de ressaca, e muitas procuram em vão por uma tratamento imediato. Em geral, aquelas pessoas mais acostumadas aos dissabores do uso excessivo de álcool, têm acesso a uma variedade de produtos que pretendem aliviar a dor.

Porém, há muito mais argumentos do que provas. A maioria deles não estão apoiados pela ciência em termos de utilidade para o tratamento da ressaca e, muitas vezes, seus efeitos não parecem corresponder ao que os cientistas falam sobre a ressaca.

Cientificamente, uma ressaca se refere a um conjunto de sintomas como fadiga, fraqueza, sede, dor de cabeça, dores musculares, náusea, dor de estômago, vertigem, sensibilidade à luz e ao som, ansiedade, irritabilidade, suor e aumento da pressão arterial. A ressaca pode variar de pessoa para pessoa.

Assim, independentemente do quanto você consome, o álcool desencadeia uma reação em cadeia também em seu cérebro (os primeiros são os neurotransmissores). Ele interrompe a função desses transmissores, o que, por sua vez, afeta a maneira como o corpo libera certos produtos químicos.

Inicialmente, essa interrupção induz a uma sensação de euforia, com a liberação da dopamina, fazendo com que você se sinta feliz, sociável e despreocupado. As consequências do excesso de dopamina, no entanto, podem voltar para deixá-lo ruim logo que a euforia passar, e a ressaca começar.

Infográfico mostra como a ressaca age no corpo

A RESSACA DO DIA SEGUINTE
Seja verão ou inverno, quem não aprecia uma cerveja, vinho ou cachacinha? Mas é necessário ter atenção ao consumo excessivo do álcool, cujos efeitos dependem da quantidade, da frequência e do organismo da pessoa
NO ESTÔMAGO
Se a festa promete ser longa, antes de começar a beber faça uma refeição equilibrada. Recomenda-se hidratação contínua durante o consumo de álcool, que deve ser ingerido devagar.
O PERCURSO DO ÁLCOOL
1
Aos goles,
a bebida desliza
pelo esôfago
Etanol
2
O estômago absorve 25% do etanol, enviando as moléculas para a corrente sanguínea
3
O restante do etanol vai direto para o intestino delgado, onde é absorvido e despejado no sangue
4
No sangue, as moléculas de etanol são despachadas para os rins, fígado, coração e músculos
5
Após ser absorvido pelo sangue, 10% do álcool é eliminado pela urina, suor, saliva e respiração
É aqui que
o bafômetro
te pega!
NO CÉREBRO
Com a capacidade de ultrapassar a barreira que impede toxinas de entrar no cérebro, o etanol acaba influenciando o desempenho do córtex, que cuida da capacidade cognitiva (julgamento, avaliação de riscos, tomada de decisões), e do cerebelo, que controla o equilíbrio.
NO FÍGADO
O órgão tem capacidade para processar apenas uma dose de álcool por hora, o que equivale a uma dose de destilado, uma taça de vinho ou uma lata de cerveja. Acima disto, o etanol continua circulando pelo sangue e intoxicando nosso corpo.
Etanol
C2H6O
Enzimas quebram o etanol
Acetaldeído
C2H4O2
Muito tóxico, é responsável pelos principais
sintomas da ressaca
Ácido Acético
C2H4O
Gás Carbônico
CO2
Água
H2O
E NO DIA SEGUINTE...
Os neurotransmissores, que captam sons e luzes, são inibidos pelo álcool. Quando o efeito passa, ficam tão estimulados que causam sensibilidade à luz
A dor de cabeça é resultado da dilatação
dos vasos sanguíneos
do cérebro
O álcool desregula o sistema glutamato glutamina cerebral, o
que impede um sono reparador
Sede e boca seca são resultado da desidratação do corpo
Gastrite, náusea e vômito são ocasionados pelo aparelho digestivo sobrecarregado, que aumenta a produção de suco gástrico e de secreções intestinais
O nível de glicose no sangue está tão baixo que resulta na sensação
de cansaço, fraqueza e alterações de humor
NO ESTÔMAGO II
Estrago feito, agora já não há muito mais o que fazer... Além de dormir, ingerir muito líquido e refeições com carboidratos. Alguns alimentos que minimizam os efeitos da ressaca:
OVO
Repleto de vitamina B, também é eficaz contra as toxinas
PÃO
Por desacelerar a produção do ácido estomacal, diminui os efeitos da ressaca.
IOGURTE NATURAL
É rico em vitamina B5, e a ajuda de vitaminas e minerais é bem-vindas
ASPARGO
Fresco ou em conserva, tem aminoácidos e minerais que protegem o fígado contra as toxinas
SUCO DE LARANJA
A vitamina C e a frutose auxiliam o fígado, tão maltratado, a processar o álcool
ATUM
Filé ou em lata, favorece a irrigação sanguínea, fornece oxigênio e elimina toxinas
BANANA
O potássio, que está em baixa, é reposto com a banana, que também possui vitamina B6
ÁGUA DE COCO
Os cinco eletrólitos da água de coco são bem mais eficaz que a água, em termos de reidratação
INFOGRAFIA: Ben Ami Scopinho, NSC Total
DESENVOLVIMENTO WEB: MAIARA SANTOS
Fonte: Tadeu Lemos, médico especializado em dependência química, professor de Farmacologia na UFSC.

O que torna a ressaca pior

Existem outras substâncias que contribuem para os sintomas da ressaca. É claro que o álcool é o principal culpado da ressaca, mas outros componentes podem contribuir para os sintomas e piorá-la, como:

Congêneres

São componentes não álcoois que fazem parte dos destilados e são produzidos durante a fermentação. Essas substâncias contribuem para o sabor e o cheiro das bebidas alcoólicas. Algumas mais escuras, como o bourbon, por exemplo, tendem a ter níveis mais elevados de congêneres do que os destilados mais claros, e podem piorar os sintomas da ressaca para algumas pessoas.

Sulfitos

São compostos adicionados ao vinho como conservantes e pessoas com sensibilidade e eles, podem sentir dor de cabeça após beber vinho.

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Mas também há vários fatores que podem contribuir negativamente para a ressaca:

Desidratação

O álcool suprime a liberação de hormônios que enviam sinais aos rins, fazendo com que retenham líquido. Como resultado, o álcool aumenta a micção e a perda excessiva de líquidos. A desidratação resultante, provavelmente contribui para os sintomas da ressaca, como sede, fadiga e dor de cabeça.

Sono interrompido

As pessoas podem adormecer mais rápido depois de beber álcool, mas seu sono é fragmentado. Isso contribui para a fadiga e também para a perda de produtividade.

Irritação gastrointestinal

O álcool irrita diretamente o revestimento do estômago e aumenta a liberação de ácido. Isso pode causar náuseas e desconforto no estômago.

Inflamação

A inflamação contribui para o mal-estar que as pessoas sentem quando estão doentes, portanto, também pode ter um papel nos sintomas da ressaca.

Como os indivíduos são tão diferentes, é difícil prever quantas bebidas causarão uma ressaca. Sempre que as pessoas bebem até ficarem embriagadas, há uma chance certa de que tenham uma ressaca no dia seguinte.

Mas, quando é que a ressaca atinge o pico e quanto tempo ela dura?

Os sintomas da ressaca atingem o pico quando a concentração de álcool no sangue retorna cerca de zero. Os sintomas podem durar de 24 horas ou mais.

No entanto, existem alguns mitos comuns sobre as ressacas. Entre eles, que certas ações, como beber café ou tomar banho, podem prevenir ou curar uma ressaca. Outro como beber mais álcool cura a ressaca, tal como a expressão "cerveja depois da ressaca, nunca mais ressaca", entre outros.

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Como podemos evitar ressacas?

A maneira mais óbvia de evitar uma ressaca é abster-se completamente de álcool. Mas, se quisermos desfrutar de uma comemoração e evitar os sintomas desagradáveis ​​de uma ressaca, certifique-se de limitar a quantidade de álcool que ingere e de não misturar tipos de bebidas ou ingerir líquidos não alcoólicos também.

Mas o fator que desempenha um papel importante em qualquer ressaca é a desidratação. E quando você bebe um diurético como a cerveja, por exemplo, tende a urinar com mais frequência. Isso faz com que seu corpo perca sal e potássio, desequilibre seus eletrólitos e sobrecarregue o coração e os rins.

Para mitigar a desidratação quando aquela ressaca terrível se instala, peça um copo d'água entre os coquetéis ou copos de cerveja e certifique-se de tomar mais um copo cheio antes de dormir.

Depois de uma noite de bebedeira, acorde com um farto café da manhã para normalizar os níveis de açúcar no sangue e prevenir náuseas.

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Existe algum remédio útil para uma ressaca?

Embora muitos remédios para aliviar a ressaca sejam mencionados na web e nas redes sociais, nenhum deles foi cientificamente comprovado como sendo eficaz. Não há poção mágica para vencer a ressaca: apenas o tempo pode ajudar.

A pessoa deve esperar que o corpo termine de limpar os subprodutos tóxicos do metabolismo do álcool, reidrate, cure o tecido irritado e restaure a atividade imunológica e cerebral ao normal.

Não há como acelerar a recuperação do cérebro com o reuso de álcool, café ou tomar banho. Algumas pessoas tomam analgésicos de venda livre (geralmente paracetamol) antes de ir para a cama para minimizar a ressaca.

É importante informar que a combinação de álcool e paracetamol pode ser tóxica para o fígado. Assim como certos analgésicos, incluindo aspirina e ibuprofeno, que podem aumentar a liberação de ácido e irritar o revestimento do estômago.

Portanto, proceda com cuidado ao usar esses medicamentos antes ou depois de consumir álcool.

O único remédio infalível para a ressaca é evitar pegá-la não bebendo excessivamente.

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