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    Conheça Daniela Reinehr, a primeira mulher a governar SC

    Vice-governadora teve pedido de afastamento negado e vai assumir o governo de forma interina até decisão final sobre futuro de Carlos Moisés

    24/10/2020 - 01h44 - Atualizada em: 24/10/2020 - 11h39

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    Por Jean Laurindo
    Quem é Daniela Reinehr, a nova governadora em exercício de SC
    Quem é Daniela Reinehr, a nova governadora em exercício de SC
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    A vice-governadora Daniela Reinehr (sem partido) será a nova governadora em exercício de Santa Catarina. A decisão do tribunal de julgamento que afastou temporariamente do cargo o governador Carlos Moisés (PSL), mas arquivou a denúncia contra a vice, surpreendeu quem apostava em um afastamento temporário de Moisés e Daniela, o que abriria espaço para o presidente da Assembleia Legislativa, Julio Garcia, assumir o governo.

    > Impeachment é aprovado, Moisés é afastado do governo de SC e Daniela assume

    Daniela foi a primeira mulher eleita vice-governadora em SC e agora será a primeira a assumir o governo do Estado, ainda que de forma temporária. Ela já havia governado por 10 dias em janeiro, durante férias de Carlos Moisés.

    Daniela comemora o arquivamento do impeachment após votação
    Daniela comemora o arquivamento do impeachment após votação na Alesc
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    A futura governadora em exercício tem 43 anos, é natural de Maravilha, mas morou a maior parte da vida em Chapecó, no Oeste do Estado. É casada e tem dois filhos.

    > Ânderson Silva: Daniela Reinehr encara Tribunal de Julgamento de frente

    É advogada e trabalhou na área de Direito com temas relacionados a comércio exterior até o início da vida pública e a vitória como vice-governadora na chapa encabeçada por Moisés, em 2018. Também atuou por três anos como policial militar no início da carreira e é produtora rural. Durante o mandato, fez defesas contundentes em temas que envolviam o agronegócio, como a tentativa de taxar agrotóxicos no segundo semestre de 2019.

    A participação na política começou nos protestos de 2013 e avançou durante as manifestações em favor da Lava-Jato e que pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016. Daniela despontou como liderança local dos movimentos que convocavam as mobilizações no Oeste. O alinhamento com a Lava-Jato e com Bolsonaro levou à escolha pela filiação ao PSL com vistas à eleição de 2018.

    > Entenda o pedido de impeachment que afastou do cargo o governador Carlos Moisés

    Já no governo, Daniela se envolveu em algumas polêmicas na relação entre ela e o governador Moisés. O pano de fundo costumava ser o mesmo: o alinhamento ou não entre o governador e o presidente Jair Bolsonaro.

    Ao longo dos quase dois anos de mandato, Daniela em vários momentos buscou estabelecer uma relação mais próxima com Bolsonaro do que Moisés, que em entrevistas deixou claro ter opiniões diferentes das do presidente em alguns temas. Fez visitas ao presidente em Brasília, inclusive no período em que assumiu como governadora em exercício, em janeiro.

    Em novembro de 2019, quando Bolsonaro confirmou que deixaria o PSL para criar um novo partido, o Aliança pelo Brasil, Daniela anunciou que seguiria o mesmo caminho e anunciou a desfiliação do PSL.

    Vice-governadora acompanhou votação de pedido de impechment na Alesc
    Vice-governadora acompanhou votação de pedido de impechment na Alesc
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    Rompimento com Moisés

    Em junho deste ano, escreveu uma carta em que rompeu definitivamente com o governador e criticou o afastamento dele com Bolsonaro. Reclamou também do isolamento imposto a ela em ações centrais do governo. Chegou a dizer que foi excluída de uma reunião por uma “suposta ‘insuficiência de cadeiras’”.

    A essa altura Moisés e Daniela já vinham em crise por episódios como a contratação do hospital de campanha, criticada pela vice-governadora, e o endosso de Moisés a uma carta de governadores em defesa da democracia após protestos pelo fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) – o governador assinou a carta, a vice saiu em defesa de Bolsonaro.

    Nos últimos meses, com o avanço do processo de impeachment que envolvia os dois, houve menos manifestações públicas de divergências entre ambos. Ainda assim, a vice-goveranadora ganhou recentemente o apoio de políticos ligados a Bolsonaro, como a deputada federal Carla Zambelli (PSL). Moisés, não. Mesmo assim, os acenos feitos ao bolsonarismo não foram suficientes para garantir os votos da bancada do PSL para evitar o processo de impeachment ainda na Assembleia Legislativa, em setembro. Na ocasião, ela teve apenas um voto a mais do que Moisés, e teve o processo aceito por 32 votos a 7.

    Com a decisão desta sexta-feira, Moisés e Daniela novamente tomam caminhos opostos. Moisés seguirá na tentativa de evitar a decretação de impeachment no julgamento definitivo e na busca para retornar ao cargo. Daniela, agora livre da denúncia que buscava também seu afastamento pelo mesmo motivo, agora não deve ter mais preocupações com defesa jurídica, já que no segundo processo de impeachment, ligado ao caso dos respiradores e que está em tramitação, ela foi excluída da denúncia ainda na primeira fase de avaliação na Assembleia Legislativa. Caberá a Daniela agora a missão de construir uma transição da gestão da qual fez parte para um novo governo, ainda que por ora sob o manto da interinidade.

    Daniela fica no governo ao menos até julgamento do tribunal misto

    Daniela deve receber posse oficialmente como governadora em exercício após o agora governador afastado ser notificado da decisão do tribunal de julgamento. Ela segue no cargo pelo menos até que o tribunal misto faça o julgamento do processo de impeachment de Moisés, em um prazo máximo de 180 dias. Depois disso, ela volta a ser vice caso a denúncia contra o até então chefe do Executivo seja arquivada ou permanece como governadora em definitivo se o impedimento de Moisés for confirmado.

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