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Vóvó Gertrudes, Paulo Escobar e Leonardo Danielli mostram como a generosidade tem poder de multiplicação 

27/09/2019 - 15h10

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Por Juliana Gomes
Maria Gertrudes Luz Gomes, 81 anos, presidente da AVOS - Associação de Voluntários de Saúde do Hospital Infantil Joana de Gusmão
Vovó Gertudes fundou e preside a AVOS — Associação de Voluntários de Saúde do Hospital Infantil Joana de Gusmão
(Foto: )

A idosa que dedica a vida a crianças com câncer, o homem que oportuniza a deficientes físicos a descoberta da paixão pelo esporte e o filho que decide dar continuidade à história da mãe por meio da doação de órgãos são exemplos de como a vida pode ser compartilhada através de muitas formas de doação.

— Uma coisa que sempre passa na minha cabeça é o fato de que todo mundo é uma coisa só. Quando a gente faz para o outro, a gente faz por nós, quando a gente tem um pouquinho, a gente deve contribuir porque isso nos multiplica e aumenta essa força — afirma a coaching Vanessas Tobias.

Paixão

O administrador Paulo Escobar, 59 anos, sempre foi apaixonado por esportes. Ele já participou de provas de Ironman e triathlon. Em 2016, percebeu que competir já não era mais suficiente. Então, resolveu ajudar pessoas com deficiência a descobrirem o benefício das corridas de rua e criou o Instituto de Inclusão pelo Esporte.

— Eu pensei em criar uma organização que incluísse deficientes físicos, mentais, visuais, auditivos. Comecei com quatro participantes. Na próxima corrida já eram 30, porque os pais vinham me procurar - contou.

Desde então, os treinos ocorrem às quartas-feiras na Beira-mar Norte em Florianópolis ou na Beira-mar de São José. Atualmente, o instituto tem 140 atletas.

— As pessoas passam pelas outras e não as veem. O que me motiva é ver eles (os deficientes) correrem, gosto de ver eles alegres, vivendo... e não sei mais parar — contou.

Paulo Escobar propicia a prática de esporte por deficientes
Paulo Escobar propicia a prática de esporte por deficientes
(Foto: )

Amor às crianças

Há 44 anos, Maria Gertrudes da Luz Gomes é voluntária no atendimento de famílias e crianças com câncer. Hoje, aos 86 anos, é mais conhecida como a Vovó Gertrudes, o mesmo nome da casa de apoio que recebe pacientes em tratamento no Hospital Infantil Joana de Gusmão em Florianópolis.

Em 1979, ela descobriu que as crianças internadas no antigo Hospital Infantil Edith Gama Ramos ficavam sozinhas durante a internação e resolveu ajudar.

— Naquela época, as crianças não podiam ficar com seus familiares, não era permitido. Com a constituição de 88, a nossa constituição cidadã, é que as crianças tiveram direito de ficar com seus familiares. Até então, ficavam sozinhas. Por isso, nós nos oferecemos para substituir os pais das crianças, para levar um pouco de carinho,de atenção que uma criança precisa quando está longe da sua família — contou.

Atualmente, Vovó Gertrudes é presidente da Associação de Voluntários de Saúde do Hospital Infantil Joana de Gusmão (Avos), entidade que administra a casa de apoio.

— Eu era uma dona de casa que um dia resolveu fazer este trabalho. Sempre digo que tenho muita alegria em servir. Sempre digo assim: enquanto Deus me der pernas para caminhar, cabeça para pensar e coração para amar, eu quero ficar aqui (na casa de apoio) — pergunta.

Multiplicação

Para dar continuidade a uma vida muito especial, em 2009, o advogado Leonardo Jaques Danielli, 38 anos, não teve dúvida ao decidir pela doação dos órgãos da mãe.

— Minha mãe sempre sempre teve empatia com as pessoas que sofriam ou passavam por algum momento de dificuldade. O próprio trabalho dela na Associação Catarinense de Educação Especial com crianças e adultos com deficiências físicas e mentais demonstra isso, era muito dela. Acho que a gente só completou o que ela faria.

Para a coaching Vanessa Tobias, uma doação pode ser feita também por meio das atitudes mais simples, que podem multiplicar a vida.

— Quando a gente percebe a importância do outro nas nossas vidas, qualquer outro, quem cruza com a gente no trânsito, no elevador, quem trabalha conosco, quem está ao nosso lado diariamente, as pessoas que nos servem, nos ajudam. É um elogio, isso eu gosto muito de fazer, é um olhar para as coisas positivas, ser alguém que conscientemente leva a alegria. Isso multiplica a gente.

Tempo para si

O psicólogo Paulo Pimont Berntt alerta que tão importante quando se doar aos outros é importante cuidar de si.

— Eu só consigo olhar o outro no momento em que tratei das minhas necessidades. Eu, como uma pessoa inteira,feliz e satisfeita. Então, eu vou transbordar essa felicidade e satisfação. Se você decidir pelo voluntariado, se doar a alguém, doe daquilo que você tem muito (o seu ponto forte) — comentou.

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