Um crânio achado na Catalunha revelou uma nova espécie de “cão-urso”, carnívoro que viveu há 15,9 milhões de anos. A descoberta desse novo fóssil ajuda na reinterpretação de árvores evolutivas de grupos extintos por meio de novas comparações.
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Batizado de Paludocyon moyasolai, o animal tinha porte médio, dentes adaptados ao consumo de carne e provavelmente caçava presas menores perto de lagos rasos e áreas úmidas da atual Espanha.
Predadores do Mioceno
Cão-urso?
O nome popular cria uma imagem simples, mas pode confundir. Os cães-ursos formavam a família extinta Amphicyonidae, dentro da ordem dos carnívoros. Eles não eram uma mistura nem um elo direto entre cães e ursos modernos.
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O grupo ocupou partes da América do Norte e da Eurásia durante milhões de anos. Suas espécies variavam bastante: algumas tinham dentes trituradores, enquanto outras exibiam uma dentição voltada ao corte de carne.
O novo animal pertence ao gênero Paludocyon, conhecido por premolares reduzidos, molares superiores robustos e características associadas a uma dieta relativamente rica em carne.
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Dentes revelaram uma espécie diferente
O estudo, publicado no Journal of Mammalian Evolution, analisou um crânio deformado, mas com boa parte da dentição preservada, além de um molar inferior isolado.
Os pesquisadores compararam 43 características dentárias de 15 espécies de anficionídeos. A análise colocou o novo animal na base do grupo Paludocyon, embora mais dentes inferiores possam esclarecer essa posição.
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Três partes do material foram decisivas para o diagnóstico:
- crânio parcial com quase toda a dentição superior;
- segundo molar superior mais largo que o primeiro;
- terceiro molar grande, com cúspides bem definidas.
Predador das áreas úmidas do Mioceno
Os fósseis vieram de Els Casots, perto de Barcelona. O local preserva sinais de um lago raso de água doce, cercado por áreas úmidas e florestas, durante uma fase quente conhecida como Ótimo Climático do Mioceno.
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O sítio foi descoberto em 1989. Escavações ocorreram até 1994, enquanto novas campanhas começaram em 2018. A coleção reúne mais de 5 mil restos de grandes vertebrados, ligados a cerca de 80 espécies.
Nesse cenário, o Paludocyon provavelmente atuava como um caçador ágil de porte médio. Os autores consideram plausível que perseguisse pequenos herbívoros, mas os dentes não permitem reconstruir sozinhos toda a sua estratégia
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O que a descoberta muda
Paludocyon moyasolai acrescenta uma nova peça à diversidade dos predadores do Mioceno. Mais do que apresentar um animal desconhecido, o fóssil ajuda a revisar como diferentes linhagens de cães-ursos se separaram.

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