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    Críticas a EUA e Arábia Saudita na COP24 por negarem realidade climática

    10/12/2018 - 16h49

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    Por AFP

    Os Estados Unidos e a Arábia Saudita foram alvo de críticas nesta segunda-feira (10) na COP24 na Polônia por minimizarem os alertas científicos da ONU, uma postura que poderia prejudicar a segunda semana deste encontro internacional que busca reforçar a luta contra as mudanças climáticas.

    Depois que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) advertiu, em outubro, que o mundo precisa reduzir em quase 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030 em relação a 2010 para conter o aquecimento do planeta, Estados Unidos, Arábia Saudita, Rússia e Kuwait se opuseram a apoiar este relatório na reunião de Katowice.

    Durante o fim de semana, estes quatro países defenderam que a 24ª Conferência do Clima da ONU (COP24) "tome nota" do estudo do IPCC, enquanto a União Europeia (UE), os países em desenvolvimento e os Estados insulares pediram que seja "acolhido favoravelmente".

    Esta diferença, que sugere ao mesmo tempo uma postura de fundo, desencadeou críticas contra estes quatro grandes emissores de gases do efeito estufa e poderia atrapalhar as negociações que acontecem até sexta-feira em Katowice, destinadas a buscar um consenso sobre como aplicar o Acordo de Paris de 2015.

    "Negar a realidade não a muda, a mudança climática já existe e é pior do que pensávamos", disse nesta segunda-feira o ministro do Meio Ambiente das Maldivas, Husain Rasheed Hasan, advertindo que os efeitos do aquecimento global, como os incêndios, as secas e as fortes tempestades continuarão mesmo que a COP24 não apoie as conclusões do IPCC.

    "As implicações são muito negativas para o futuro do processo de negociação", disse à AFP Rueanna Haynes, delegada das ilhas caribenhas de São Cristóvão e Neves.

    Estes quatro países "fazem com que as negociações percam um tempo muito valioso. São como pássaros de mau agouro para esta última semana de COP", disse Fanny Petitbon, especialista em clima da ONG Care.

    "No entanto, o objetivo destes próximos dias é que os Estados demonstrem (...) que estão dispostos a acelerar a ação climática para não ultrapassar 1,5ºC de aquecimento", disse Petitbon.

    O último relatório do IPCC estima que o mundo não pode se permitir um aumento maior que 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais se quiser evitar efeitos irreversíveis para o planeta.

    Embora a postura do governo americano em relação às mudanças climáticas seja conhecida - Donald Trump defendeu, neste fim de semana, "pôr fim" ao "ridículo" Acordo de Paris -, o fato do representante dos Estados Unidos ressaltar em Katowice que o relatório do IPCC - adotado pela comunidade internacional em outubro, incluindo os Estados Unidos - na realidade não conta com a "aprovação" da Casa Branca, preocupou seus pares.

    A Arábia Saudita, o país com a pior nota em termos de ação climática, seguida pelos Estados Unidos, segundo o "Índice de desempenho da mudança climática" publicado nesta segunda-feira por várias ONGs, também manifestou as "incertezas" que a seu ver pesam sobre o IPCC.

    Paralelamente, os Estados Unidos voltaram a organizar, pelo segundo ano consecutivo, um evento paralelo à COP para apresentar as "formas de utilizar as energias fósseis da forma mais limpa e eficaz possível", o que suscitou protestos de um grupo de ativistas na sala.

    "O governo Trump continua promovendo o carvão em uma cúpula sobre o clima da ONU. O que vai fazer depois? Ignorar a ciência sobre o tabaco e promovê-lo em uma conferência mundial sobre o câncer?", comparou Michael Bloomberg, enviado especial da ONU sobre mudança climática.

    * AFP

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