Rosane, Ana, Maria e Adriana. Estes foram os nomes de mulheres que morreram, apenas em junho, em Santa Catarina, vítimas de feminicídio. Em todos os casos, os investigados são seus ex-companheiros, ex-maridos, namorados. Elas se juntam as 23 outras mulheres que morreram pela condição de ser mulher em 2026. O total são de 28.

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O caso mais recente aconteceu no dia 30 de junho de 2026, na última terça-feira, quando o ex-companheiro de Rosane de Oliveira foi até sua casa e disparou, com uma arma de fogo, contra ela. Conforme a Polícia Militar, o crime foi cometido na frente dos filhos da vítima. Inclusive, um deles chegou a ser alvo do homem, mas o disparo não o acertou.

Maria Eduarda Salvaro, de 21 anos, também foi encontrada morta, dentro de sua própria casa, o principal suspeito é seu ex-namorado. Segundo o Promotor de Justiça, há elementos que indicam a prática de feminicídio consumado, com indícios de que a vítima teria sido morta por asfixia e que o investigado teria, posteriormente, tentado simular um suicídio para afastar sua responsabilidade pelo crime.

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Segundo dados do Observatório da Violência Contra a Mulher de Santa Catarina, até maio de 2026 já haviam sido registrados 23 feminicídios no Estado, cinco a mais do que no mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 18 casos.

Ao analisar refletir sobre os casos, a advogada Anna Paula Nunes Chaves, especialista nos direitos das mulheres, afirma que eles evidenciam a permanência de uma cultura de violência e controle sobre as mulheres.

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— Eles (os casos) revelam que, apesar dos avanços nas leis, nos mecanismos e na adoção de pactos da Segurança Pública com o Judiciário, com tentativas do Legislativo de ampliar as penas, a prática mostra que as relações ainda são as mesmas. O tratamento das mulheres, se não é o mesmo, inclusive piorou com a disseminação de alguns grupos misóginos, onde a mulher é vista como alguém que não detém poder e cujo corpo é tratado como público. E isso está se refletindo nesses dados e também na crueldade deles — analisou.

Quando comparamos anos anteriores, foram registrados 58 casos em 2023, 51 em 2024 e 54 ao longo de todo o ano de 2025. Os dados evidenciam que, na prática, há uma manutenção deste tipo de crime no decorrer dos anos.

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A coordenadora estadual das Delegacias de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), delegada Patrícia Zimmermann D’Ávila, afirma que, o comportamento possessivo do agressor e a recusa em aceitar o fim do relacionamento estão entre os principais fatores de risco.

— Quando há o fim do relacionamento ou a intenção de terminar, aquele comportamento de posse se torna extremamente perigoso. A frase “se não for minha, não vai ser de mais ninguém” aparece com muita frequência nos crimes que investigamos, e quando a gente fala em colocar a lente de gênero, é ver a violência e mostrar como essa desigualdade entre homens e mulheres vem clara.

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Para a delegada, reduzir os casos de feminicídio depende de um trabalho que vai além da repressão aos crimes. Ela defende que a violência contra a mulher seja tratada como um problema de toda a sociedade e que as ações de prevenção também sejam direcionadas aos homens.

— O nosso grande desafio hoje é conscientizar a sociedade como um todo de que o problema da violência contra a mulher é um problema de todos nós. Trabalhar e enfrentar essa violência significa conversar principalmente com os homens. Não basta dizer para a mulher denunciar, é preciso que eles deixem de tolerar qualquer forma de violência — fala a delegada.

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Já Anna também acredita que um dos caminhos é se aprofundar na discussão de forma clara, inserindo conversas sobre questões de gênero dentro de escolas, empresas e toda sociedade. Mas, ainda aponta que um dos caminhos práticos seria pensar a punição de crimes “menores”.

— Eu acho que o desafio maior também é ampliar a punição de pequenos crimes. Então, violência psicológica e patrimonial, por exemplo, elas precisam ser tão graves quanto roubar alguma coisa. Porque ainda, no nosso código, o bem tem mais valor do que a pessoa. E é no início né, é na violência psicológica que muitas vezes o “resultado morte” começa — explica.

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Relembre os últimos casos de feminicídio em SC

O primeiro caso registrado em junho ocorreu na madrugada do dia 13, em Entre Rios, no Oeste catarinense. Ana Paula Veloso Hortega, de 25 anos, foi encontrada morta após participar de uma confraternização com familiares e o companheiro. O homem, de 23 anos, foi preso suspeito do crime, que é investigado como feminicídio.

Menos de uma semana depois, em 19 de junho, Maria Eduarda Salvaro, de 21 anos, foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava, em Criciúma. Segundo a Polícia Militar, o companheiro, de 24 anos, confessou que a jovem foi enforcada e permaneceu com o corpo no imóvel por cerca de dois dias. Ele foi preso e o caso é tratado como feminicídio.

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Na noite de 22 de junho, Adriana Aparecida dos Santos, de 37 anos, foi encontrada morta em uma área rural de Lages, na Serra Catarinense. As lesões no corpo indicavam esganadura e o principal suspeito é o companheiro da vítima, que fugiu da cena do crime.

O caso mais recente ocorreu na tarde de 30 de junho, em Araquari, no Norte do Estado. Rosane de Oliveira foi morta a tiros dentro de casa pelo ex-companheiro. De acordo com a Polícia Militar, o crime foi cometido na frente dos filhos da vítima, e um deles também chegou a ser alvo dos disparos, mas não foi atingido. O suspeito fugiu após o crime e segue sendo procurado.

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