Após investigação para saber se o filme “Dark horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, usou recursos públicos desviados, uma perícia privada contratada pela produtora da obra apontou que o filme custou R$ 75 milhões e não recebeu incentivos públicos. As informações são da Folha de S.Paulo.
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O laudo foi anexado ao inquérito policial, que investiga a suspeita de fraude em um contrato com a prefeitura de São Paulo de R$ 108 milhões firmado para que pontos de internet wi-fi fossem instalados na cidade. A dona do instituto é a empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go UP Entertainment Ltda, produtora do filme Dark Horse. A perícia privada foi contratada pela defesa da produtora.
Ainda segundo a Folha, o laudo da perícia privada indica que entre 1º de junho de 2025 e 4 de junho deste ano, os gastos feitos no Brasil para o filme somaram mais de R$ 20 milhões. Já nos Estados Unidos, o valor foi de R$ 54,2 milhões. Somados, os valores se aproximam de R$ 75 milhões.
O laudo também indicou que o Havengate Development Fund LP, fundo sediado nos Estados Unidos, seria responsável pelos aportes de 13,3 milhões de dólares. O valor seria igual ao custo total da produção, ou seja, os R$ 75 milhões declarados.
Em entrevista à Folha de São Paulo, Karina Ferreira da Gama declarou que estuda a possibilidade de adiar o lançamento do filme, que deve ocorrer após as eleições.
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O advogado de defesa da produtora, Ric ardo Sayeg, também informou que a produção é isenta e o maior desejo da empresária é ganhar o Oscar. “Queremos o Oscar nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor ator, melhor ator coadjuvante, melhor roteiro original e melhor filme internacional”, disse em nota à Folha de São Paulo.
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O inquérito da polícia aponta um possível cenário de “grave comprometimento da lisura administrativa e financeira” a partir da origem da contratação da organização parceira. O delegado responsável pelo caso afirma, em um documento, que o próprio chamamento público iniciou a suspeita da polícia para supostas irregularidades.
“O primeiro elemento de suspeita reside no próprio direcionamento do chamamento público, o qual contou com a participação exclusiva do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que, conforme apurado, não ostentava qualquer histórico de atuação, experiência anterior ou capacidade técnica no setor de telecomunicações, limitando seu histórico operacional a feiras de livros e eventos de natureza literária ou religiosa”, apontou o delegado.
Os valores cobrados pela ONG para a prestação do serviço estão acima do valor do mercado e das empresas da Prefeitura de São Paulo, com “flagrante discrepância de valores em comparação com os parâmetros de mercado e contratações pretéritas”.
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“Enquanto a PRODAM, empresa pública municipal de tecnologia de São Paulo, prestava serviços idênticos pelos custos de R$ 230,00 para implantação por ponto e R$ 306,00 para manutenção mensal por ponto, o acordo firmado com o Instituto Conhecer Brasil estipulou o pagamento fixo mensal de R$ 1.800,00 por ponto de internet instalado, gerando um custo injustificadamente superior para a municipalidade”, aponta o documento que embasa a operação.
Pontos de wi-fi não foram instalados
Conforme a investigação, a Secretaria de Inovação e Tecnologia repassou à ONG valores mensais mesmo sem a instalação dos 5 mil pontos de wi-fi contratados até junho de 2025. Segundo o delegado, foram instalados 3,2 mil pontos.
“Para ocultar a mora e legitimar o atraso reiterado, foram celebrados três termos aditivos em curtíssimos intervalos de dias”, disse.







