Uma reserva bilionária de ouro encontrada na China reacendeu uma pergunta antiga: de onde vêm os metais preciosos que circulam pela superfície da Terra?

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Entre teorias que envolvem meteoritos e até “vazamentos” do núcleo do planeta, a descoberta colocou a geologia novamente no centro das atenções.

O tesouro escondido em Wangu

A revelação veio da província de Hunan, na China. Autoridades locais anunciaram que mais de mil toneladas de ouro podem estar sob a região de Wangu, formando um depósito estimado em cerca de 83 bilhões de dólares.

O volume impressiona e desperta o interesse de geólogos do mundo inteiro. Mas, além do valor econômico, a descoberta levanta uma questão científica intrigante: como tanto ouro foi parar ali?

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Hoje, os pesquisadores sabem que a maior parte do ouro da Terra não está acessível.

Durante a formação do planeta, há cerca de 4,5 bilhões de anos, elementos pesados como ferro e ouro afundaram em direção ao núcleo.

O ouro é classificado como um elemento siderófilo, ou seja, tem afinidade química com o ferro, o que explica por que grande parte dele ficou “presa” nas camadas mais profundas do planeta.

Meteoritos ou algo mais profundo?

Por décadas, uma das teorias mais aceitas foi a do chamado Grande Bombardeamento Tardio.

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Segundo essa hipótese, meteoritos ricos em metais atingiram a Terra após a formação do núcleo, trazendo ouro e outros elementos para as camadas superiores.

Esse processo teria enriquecido o manto terrestre e possibilitado que, milhões de anos depois, processos geológicos concentrassem o metal em jazidas como a de Hunan.

Um núcleo que pode “vazar”?

Nos últimos anos, porém, outra hipótese começou a ganhar força.

Estudos de rochas vulcânicas no Havaí identificaram a presença de hélio primordial, um tipo de gás associado às camadas mais profundas do planeta.

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Essa evidência sugere que materiais muito antigos podem estar migrando do interior da Terra para a superfície por meio de plumas mantélicas.

A grande dúvida agora é se parte desses elementos pode ter origem ainda mais profunda, possivelmente no próprio núcleo. A ciência ainda busca respostas definitivas.

Mas uma coisa é certa: cada nova descoberta de ouro não revela apenas riqueza econômica, mas também ajuda a contar a história profunda e complexa da formação do nosso planeta.

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