Com certeza você já assistiu a Tom & Jerry, animação nostálgica que marcou gerações, onde retratava a imagem do gato bohêmio saindo sozinho de casa, para farrear com outros gatos, passando horas na rua até voltar para casa como se nada tivesse acontecido. Esse é mesmo cenário dentro de muitas casas, onde tutores não possuem controle sobre seus felinos.
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Uma análise de pesquisas feitas em vários países mostra que esse hábito pode encurtar a vida dos felinos em até três anos. O levantamento indica que a medida mais viável e segura é manter os gatos em ambientes internos ou permitir saídas apenas com acompanhamento. A mudança reduz riscos como atropelamentos, envenenamentos, doenças infecciosas e brigas com outros animais.
A curiosidade (não é a única que) matou o gato
Gatos são curiosos por natureza, e essa fama costuma alimentar a ideia de que eles precisam circular livremente pela vizinhança. O problema é que na rua, mesmo parecendo tranquila, reúne perigos que nem o tutor consegue enxergar.
Dados publicados na revista Global Ecology and Conservation apontam que gatos com acesso livre às ruas acabam se envolvendo em situações de risco. Em vez de ser um passeio livre, acaba sem supervisão, o que pode aumentar a chance de acidentes, ferimentos e contato com substâncias perigosas.
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Risco na rotina
Nos Estados unidos, um estudo reuniu 55 gatos e mostrou como estes perigos acontecem de forma simples. Um em cada quatro animais comeu ou bebeu algo encontrado fora de casa, o que aumenta o risco de intoxicação.
Quase metade dos gatos monitorados atravessou ruas movimentadas, enquanto um quarto teve contato com outros felinos. Também houve registros de animais entrando em espaços difíceis de acessas, como em áreas sob casas e galerias de escoamento de água.
Situações semelhantes foram observadas em outros países. Na Nova Zelândia, mais da metade dos gatos acompanhados bebeu água fora de casa, e quatro em cada dez consumiram alimentos encontrados na rua. Parte dos animais também atravessou vias ou subiu em telhados, o que aumenta o risco de queda. Já na Austrália, um monitoramento com 428 gatos mostrou que eles atravessavam ruas, em média, quase cinco vezes por dia.
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Atropelamentos lideram mortes
Entre os perigos identificados, os acidentes de trânsito aparecem como a principal ameaça para gatos com menos de oito anos. Dados da Europa indicam que entre 18% e 24% dos felinos são atropelados em algum momento da vida. A taxa de sobrevivência é baixa.
Entre os animais atingidos, cerca de sete em cada dez não resistem. A maior parte das vítimas tem menos de cinco anos, justamente uma fase em que os gatos costumam explorar mais o ambiente.
Machos e gatos não castrados aparecem entre os mais vulneráveis, pois tendem a se afastar mais de casa. Em muitos casos, o socorro nem chega a acontecer: cerca de 57% dos gatos atropelados morrem ainda no local.
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Doença nas ruas
Além dos carros, a circulação livre aumenta o contato com outros animais e ambientes contaminados. Isso favorece a exposição a doenças infecciosas, como o vírus da imunodeficiência felina, conhecido como FIV ou FELV.
Brigas com outros gatos também podem causar ferimentos graves, infecções e dor. Mesmo quando não levam à morte, esses episódios comprometem a saúde e a qualidade de vida do animal.
Há ainda risco de envenenamento, ingestão de água ou comida contaminada e agressões praticadas por pessoas. Para o tutor, muitos desses perigos só aparecem quando o gato volta machucado ou não retorna.
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Proteger sem prender
A recomendação apontada pelos pesquisadores não significa ignorar o bem-estar do animal, pelo contrário, a idéia é substituir o acesso livre por ambientes internos mais seguros ou passeios supervisionados, quando o animal estiver acostumado e houver controle. Dentro de casa, o tutor pode enriquecer o ambiente com brinquedos, arranhadores, locais de alto estímulos para simular uma caçada. Assim, o gato mantém parte de comportamento natural sem ficar exposto aos riscos que a rua proporciona.
Na prática, o hábito mais simples é tambem o mais decisivo: não deixar o gato sair sozinho. Para muitos felinos, essa mudança pode repesentar menos acidentes, menos doenças e mais anos de vida do bichano ao lado da sua família.

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