Uma descoberta considerada histórica reacendeu a esperança para a biodiversidade brasileira. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro reencontraram no litoral de São Paulo a Begonia larorum, planta que era considerada extinta há mais de um século pela ciência.
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O último registro conhecido da espécie datava de 1920. Desde então, não havia qualquer confirmação de sua existência na natureza. O novo achado ocorreu na Ilha de Alcatrazes, onde a planta foi localizada em uma encosta de difícil acesso.
O estudo que detalha a redescoberta foi publicado na revista científica Oryx, e os autores defendem que a espécie seja incluída na Lista Vermelha da IUCN como criticamente ameaçada de extinção.
Um refúgio improvável no litoral paulista
Durante décadas, a Ilha de Alcatrazes foi utilizada como campo de treinamento da Marinha, o que provocou incêndios e favoreceu a presença de espécies invasoras. Mesmo assim, a pequena begônia conseguiu sobreviver em uma área isolada no lado sul da ilha.
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O acesso restrito acabou funcionando como proteção natural. Por estar em uma encosta pouco explorada, a vegetação nativa permaneceu preservada. Como a espécie é endêmica, ou seja, só existe ali, sua conservação se torna ainda mais urgente.
Da redescoberta à proteção
Em fevereiro de 2024, durante uma expedição, o pesquisador Gabriel Sabino identificou o primeiro exemplar. Familiarizado com descrições históricas, ele reconheceu rapidamente as características da planta.
A equipe localizou 19 indivíduos, muitos já em fase reprodutiva, sinal de que a população resiste. Amostras foram coletadas para cultivo controlado em laboratório, garantindo a produção de clones e aumentando as chances de preservação.
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Além de salvar a espécie, a descoberta transforma a ilha em um laboratório natural para estudos sobre clima e interações ecológicas. Para os cientistas, o reencontro da Begonia larorum é mais do que uma curiosidade botânica: é um lembrete de que a natureza ainda guarda surpresas e precisa de proteção constante.
*Por Bianca Hirakawa





