Neste 4 de outubro é celebrado o dia de São Francisco de Assis. É um dos santos mais reverenciados da Igreja Católica e ficou conhecido por sua vida dedicada à pobreza e à simplicidade. Nascido na Itália, ele renunciou a uma vivência de riquezas para abraçar a humildade.
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Em nosso mundo moderno, a busca pela felicidade muitas vezes parece uma corrida para acumular. Buscamos a realização obtendo mais; mais reconhecimento, mais conforto, mais amor, mais paz.
Nossa mentalidade padrão é transacional: para receber, precisamos primeiro descobrir o que podemos obter. Nós nos esforçamos para ser compreendidos, para ser consolados e para ser validados, acreditando que nosso contentamento interior depende do que o mundo nos dá.
A Oração de São Francisco de Assis
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No entanto, uma sabedoria antiga, capturada nos versos simples da Oração de São Francisco de Assis, oferece um caminho radicalmente diferente e profundamente contraintuitivo.
Ela sugere que a paz e o propósito que buscamos desesperadamente não são encontrados no receber, mas no dar; não no ser compreendido, mas no compreender; não no ser perdoado, mas no perdoar. Isso não é uma estratégia para ganhos mundanos, mas um guia espiritual para uma existência mais rica e com mais significado.
Este texto explora três lições surpreendentes desta oração atemporal. Elas desafiam nossas suposições mais básicas sobre como viver uma boa vida e oferecem um roteiro paradoxal para encontrar exatamente aquilo que procuramos, mas no último lugar onde pensaríamos em procurar.
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O paradoxo de dar: por que a verdadeira abundância vem do desapego
A primeira verdade disruptiva da oração, capturada na frase simples mas profunda “é dando que se recebe”, é uma inversão completa do nosso pensamento econômico e social moderno. Ela desafia diretamente a mentalidade do “o que eu ganho com isso?” que governa tantas de nossas interações.
Não se trata de uma troca direta, mas de cultivar um estado de ser onde o próprio ato de dar te preenche.
Essa é a riqueza sentida não em um saldo bancário crescente, mas no ato silencioso de guardar o celular para ouvir verdadeiramente o problema de um amigo, oferecendo o presente indivisível de sua presença.
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Uma vida passada acumulando coisas para si mesmo pode levar a uma sensação de vazio, enquanto uma vida focada em contribuir para os outros cria um inesperado senso de riqueza interior, conexão e abundância.
Pois é dando que se recebe.
A liberdade do perdão: desbloqueando sua própria paz ao concedê-la aos outros
A sabedoria da oração continua com o verso “é perdoando que se é perdoado”, visando uma fonte comum de sofrimento humano: a “ofensa”, ou o agravo que guardamos contra os outros.
Nosso instinto é nos apegarmos aos nossos rancores, esperando por um pedido de desculpas ou por justiça, acreditando que perdoar alguém é um presente que concedemos a essa pessoa. A oração revela que essa visão está invertida.
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Guardar raiva prejudica muito mais a você do que afeta a pessoa que o ofendeu; isso te prende ao passado e envenena sua paz presente. Recusar-se a perdoar é como beber veneno e esperar que a outra pessoa morra; a oração nos lembra que você tem o antídoto em suas próprias mãos.
Ao perdoar os outros, você não está tolerando suas ações; você está se libertando da prisão emocional de seu próprio ressentimento.
É perdoando que se é perdoado.
A transformação final: encontrando uma nova vida ao se desapegar do ego
O paradoxo final, extraído do verso “é morrendo que se vive para a vida eterna”, é o mais desafiador. O que significa “morrer” para poder viver? Não se trata da morte física, mas da morte do ego, aquela parte de você que constantemente exige ser o centro do universo.
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A oração dá um guia claro sobre como é essa “morte”: a decisão consciente de “procurar mais consolar do que ser consolado, compreender do que ser compreendido, amar do que ser amado”. É o desapego da sua necessidade de estar certo, de ser visto e de ter suas necessidades atendidas primeiro.
Esse “morrer” para seus instintos egocêntricos é o ato supremo de transformação. Essa “morte” cria o espaço para que seu novo eu, mais autêntico, surja, um que vive com um senso mais profundo de propósito и uma paz que não depende de circunstâncias externas.
Esta é a “vida eterna” da qual a oração fala, uma qualidade de vida disponível para você agora mesmo.
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E é morrendo que se nasce para a vida eterna.
Um guia para uma vida com mais significado
A Oração de São Francisco oferece mais do que apenas palavras de conforto; ela apresenta um guia desafiador para uma vida de profundo significado.
Seu tema central é uma mudança de perspectiva poderosa e desconfortável: de uma vida centrada no eu para uma vida dedicada ao serviço, de uma mentalidade de obter para uma de dar.
Essas lições se complementam: o ato de dar abre seu coração, tornando possível o difícil trabalho do perdão, e ambos são passos essenciais na “morte” do ego que permite que seu eu mais verdadeiro viva.
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Sua sabedoria antiga permanece como um guia atemporal, lembrando-nos que a maior paz, a mais verdadeira liberdade e a vida mais abundante não são encontradas no que ganhamos para nós mesmos, mas no que damos de nós mesmos.
Que coisa você poderia dar hoje, não para receber algo em troca, mas simplesmente pelo ato de dar em si?
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