Ver o BTS ao vivo no Brasil pode custar bem mais do que apenas o valor do ingresso. Formado por RM, Jin, SUGA, j-hope, Jimin, V e Jungkook, o grupo sul-coreano mobiliza fãs de todo o país. Para fãs de Santa Catarina que pretendem viajar até São Paulo, onde acontecem os shows em outubro, o gasto total da experiência pode ultrapassar os R$ 2 mil, principalmente em razão das passagens e da hospedagem, que já estão em alta.

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Com os ingressos esgotados em poucos minutos, muitos fãs agora enfrentam um segundo desafio: organizar a viagem. Colocar tudo na ponta do lápis virou parte do processo para quem deseja realizar o sonho de ver o grupo de perto ainda que, para alguns, o planejamento tenha sido interrompido pela falta de ingresso.

— Eu passei cerca de dois anos guardando dinheiro, R$ 100 por mês, já planejando ir ao show, já que não consegui em 2017 e 2019. Isso me ajudou a organizar principalmente as passagens. Também pesquisei hospedagem, mas vou ficar na casa de uma amiga em São Paulo, o que reduziu bastante os custos. Mesmo com tudo planejado, não consegui ingresso no dia da venda, o que me abalou bastante. Agora sigo acompanhando revendas, mas só vou acreditar que vou quando realmente conseguir comprar. — relata a gerente administrativa, Eluane Xavier Sampaio.

Passagens são o principal peso no orçamento

O transporte costuma ser o gasto mais elevado. Saindo de cidades como Florianópolis, os preços variam conforme a antecedência e a escolha entre avião ou ônibus:

  • Avião: As passagens de ida e volta estão, em média, entre R$ 600 e R$ 1.200.
  • Ônibus: Os valores são mais acessíveis, situando-se entre R$ 250 e R$ 500, dependendo da empresa e do horário.

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Quanto mais próximo da data do show, maiores tendem a ser os preços, especialmente com o aumento da demanda de fãs viajando no mesmo período.

Hospedagem sobe com grandes eventos em SP

Outro ponto de impacto no orçamento é a hospedagem. Em períodos de grandes eventos, como as apresentações do BTS, é comum os preços registrarem alta, principalmente nas regiões próximas ao local das apresentações.

Para quem pretende ficar pelo menos duas noites em São Paulo, o custo pode variar de R$ 600 até mais de R$ 2.200, dependendo do tipo de acomodação escolhida.

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Alimentação e transporte entram na conta

Além de passagem e hospedagem, há os gastos cotidianos que somam ao montante final. Em média, estima-se:

  • Alimentação: R$ 50 a R$ 100 por dia.
  • Transporte (App ou Metrô): R$ 30 a R$ 80 por dia.

No total, essas despesas podem representar entre R$ 200 e R$ 400 durante a permanência na capital paulista.

Quanto custava o ingresso do BTS?

Mesmo com as entradas esgotadas, os valores da venda oficial auxiliam na compreensão do investimento total:

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  • Arquibancada
  • Inteira: R$ 680
  • Meia: R$ 340
  • Cadeira Superior
  • Inteira: R$ 980
  • Meia: R$ 490
  • Cadeira Inferior
  • Inteira: R$ 1.080,00
  • Meia: R$ 540,00
  • Pista
  • Inteira: R$ 1.250,00
  • Meia: R$ 625,00

Total pode chegar a R$ 3 mil

Ao somar transporte, hospedagem, alimentação e ingresso, um fã de Santa Catarina pode desembolsar, em média, entre R$ 1.500 e R$ 3.000. O valor final varia conforme o tipo de ingresso, antecedência das reservas e escolhas individuais.

A médica Alessandra Veiga Campos conta que o planejamento financeiro começou antes mesmo da confirmação oficial dos shows e, ainda assim, os custos surpreenderam.

— Eu decidi que ia nesse show desde que anunciaram a volta deles, então, pra mim, era certo. Eu já me organizo com uma ‘caixinha’ pra shows, então isso ajudou bastante. Mesmo assim, o maior gasto foi o ingresso, paguei R$ 4.735,14 no pacote soundcheck. Também já reservei hotel por R$ 841,05 e ainda falta a passagem, mas os preços subiram muito e estão na faixa de R$ 1.500. Vou de avião, ainda não comprei a passagem, e o ingresso acabei parcelando e ainda devo gastar mais porque quero comprar a Army Bomb — afirma.

Já a estudante de odontologia Rafaela Lohn, de Florianópolis, estima um custo total ainda maior.

— Eu calculo que a viagem toda deve custar em torno de R$ 8.550, sendo que até agora já gastei cerca de R$ 5 mil com ingresso, passagens e hotel. Também tive despesas com itens para o show e ainda devo gastar com alimentação e passeios. Para conseguir pagar tudo, eu reduzi outros gastos no dia a dia. Mesmo assim, não me arrependo: como tenho condição, vale muito a pena e eu faria tudo de novo. — relata.

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Dividir custos é estratégia entre fãs

Para reduzir o impacto financeiro, muitos fãs optam por dividir despesas com amigos que também irão aos shows. É o caso da moradora de Joinville, Maria Eduarda Kamradt.

— Decidi ir ao show assim que anunciaram e, mesmo em grupo, só consegui ingresso no segundo dia de pré-venda. Juntei o dinheiro no meu aniversário e paguei cerca de R$ 816. Agora ainda me organizo para a viagem. Vou dividir um Airbnb com amigas (cerca de R$ 180) e avalio se vou de avião ou ônibus. O ingresso foi o maior gasto, mas, mesmo assim, vale muito a pena: é meu primeiro show internacional e um sonho realizado. — relata.

Planejamento evita dívidas

Especialistas alertam que o principal erro é decidir ir ao evento por impulso, sem avaliar se o custo cabe no orçamento.

— O maior erro é ir no efeito manada e gastar sem avaliar se isso cabe no orçamento. Não é só o ingresso, mas toda a viagem e os gastos extras. Também é preciso cuidado com o parcelamento: mesmo sem juros, continua sendo uma dívida. O ideal é que esse tipo de gasto fique dentro do orçamento de lazer e, se possível, seja pago à vista ou em poucas parcelas — orienta Ana Oliveira, educadora e mentora financeira.

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O BTS vem ao Brasil com a turnê “Arirang” com shows marcados nos dias 28, 30 e 31 de outubro no MorumBIS, em São Paulo. De acordo com a Ticketmaster, mais de 1,9 milhão de pessoas entraram no processo de compra de ingressos para os três shows do grupo no país ao longo dos dias de venda. Os números e a movimentação intensa de fãs de várias regiões do país reforçam o tamanho do fenômeno do grupo no Brasil e mostra que, para muitos, a viagem já faz parte fundamental da experiência.

Assista ao clipe de “Hooligan”